Cenário de alerta

Ferrugem-asiática ameaça safra de soja no RS

folha de soja com a doença ferrugem-asiática
Foto: Ascom Embrapa/Divulgação

Durante o mês de janeiro, o Rio Grande do Sul registrou um aumento alarmante nos casos de ferrugem-asiática, com um total de 51 relatos, a maioria ocorrendo antes da fase de enchimento de vagens (estádio de desenvolvimento R5), conforme dados do Consórcio Antiferrugem. Esse cenário preocupante alerta para uma incidência precoce da doença no estado, de acordo com a pesquisadora da Embrapa Soja, Cláudia Godoy.

O atraso na semeadura das lavouras, causado pelo excesso de chuvas no início da safra na região Sul do país, contribuiu para que as plantações se encontrassem em diferentes estágios de desenvolvimento em janeiro, desde o estádio vegetativo até o enchimento de vagens. Essa variação pode ser um dos motivos para a antecipação da ferrugem-asiática em algumas áreas, como explica Godoy: “Nas lavouras semeadas mais tardiamente, a doença pode ocorrer mais cedo devido ao aumento de inóculo do fungo proveniente das lavouras semeadas mais cedo.”

A pesquisadora observa também que, nas redes sociais, produtores e técnicos têm compartilhado relatos de lavouras com alta severidade de ferrugem, mesmo após a aplicação de fungicidas. Esse fenômeno sugere falhas no controle da doença e ressalta a importância da escolha adequada dos fungicidas.

Com a menor sensibilidade do fungo aos fungicidas tradicionais, o controle da ferrugem-asiática tem se tornado mais desafiador. A Embrapa orienta os produtores a utilizar fungicidas em rotação e adicionar fungicidas multissítios para aumentar a eficácia do controle. É fundamental também realizar o controle químico logo no início dos sintomas, respeitando o intervalo de aplicação de 14 dias entre as aplicações.

A Embrapa, em parceria com diversas instituições de pesquisa, realiza anualmente experimentos para monitorar a eficiência dos fungicidas no controle da ferrugem-asiática. Você pode baixar gratuitamente as mais recentes atualizações para a safra 2023/2024, na publicação “Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2022/2023: Resultados sumarizados dos ensaios cooperativos (Circular Técnica 195).

A Embrapa afirma que a ferrugem-asiática da soja, identificada pela primeira vez no Brasil em 2001, é considerada a mais severa doença da cultura e pode causar perdas de até 90% de produtividade se não for controlada. Diversas estratégias de manejo recomendadas incluem o uso de fungicidas e a eliminação de plantas voluntárias na entressafra.