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Novo Ciclo de Produção

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Fernando Mendes Lamas*

A cada ano o agricultor brasileiro, de maneira especial, repete um conjunto de ações para o cultivo da terra objetivando a produção de grãos e fibras. Na região central do Brasil, agora no mês de setembro, tem-se o início efetivo da safra do ano agrícola de 2018/2019.

Nem tudo que foi semeado na temporada de 2017/2018 já foi colhido. Para se ter uma ideia, ainda restam aproximadamente 10% do milho a ser colhido e algo também próximo a 10% do algodão.

De acordo com dados divulgados pela Companhia Brasileira de Alimentação – CONAB, as produtividades obtidas no ano de 2017/2018 foram muito boas na maioria dos casos. Em Mato Grosso do Sul, apenas o milho segunda safra teve um desempenho abaixo da média brasileira em virtude de fatores climáticos adversos, ocorrência de longo período de seca durante os meses de março e abril. As demais espécies cultivadas como a soja e o algodão, por exemplo, tiveram produtividades recordes, e uma das maiores do Brasil. Isto mostra o potencial de Mato Grosso do Sul, de maneira especial do produtor rural do Estado.

A capacidade empreendedora dos produtores rurais, o forte engajamento dos assistentes técnicos levando o que existe de mais importante para uma agricultura sustentável, os conhecimentos gerados pela pesquisa agropecuária, a participação dos produtores e técnicos em eventos onde o objetivo é demonstrar os avanços na área da produção agrícola, são os principais fatores responsáveis pelo crescimento da produtividade, é claro que não podemos desconsiderar as condições climáticas, que no último ano, na maioria das situações foram espetaculares. É importante destacar que, a tecnologia, é o fator que mais contribui com o aumento da produtividade, algo ao redor de 70%.

Todos os anos surgem novos desafios, talvez o que merece destaque neste último ano, foi a ocorrência de uma nova doença “estria bacteriana do milho” em algumas regiões do Paraná. É uma doença com elevada capacidade de impactar negativamente na produtividade do milho. Felizmente, esta doença ainda está restrita a algumas regiões do estado do Paraná. Muito importante, portanto, para evitar a disseminação desta doença, é o trabalho desenvolvido pelos técnicos da defesa sanitária vegetal.

A agricultura brasileira vem passando por profundas transformações, graças a incorporação de novas tecnologias, de maneira especial as tecnologias digitais, a denominada agricultura 4.0. Estas tecnologias contribuem de forma especial para com o planejamento, manejo e tratos culturais, estabelecimento das culturas e uso de insumos. O desempenho operacional de máquinas e implementos é significativamente melhorado com o uso dessas modernas tecnologias.

Especialmente, as tecnologias digitais, vão provocar mudanças muito significativas na agricultura, dando a esta outra dimensão, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo.

No entanto, algumas práticas e conceitos, não podem ser colocados de lado sob pena de serem responsáveis por insucessos. Rotação de culturas, plantio em nível, práticas mecânicas de conservação de solo e água, sistemas integrados de produção, sistema plantio direto, são exemplos de tecnologias indispensáveis quando se pensa na sustentabilidade da agricultura.

De acordo com projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, a produção agrícola deverá crescer nos próximos dez anos 22%, passando dos atuais 230 para mais de 300 milhões de toneladas de grãos e a área cultivada 14%, saltando dos 60 para mais de 70 milhões de hectares. Pelos números apresentados, ficada evidenciado mais uma vez que o aumento da produção se dará invariavelmente pelo aumento da produtividade.

Ao agricultor brasileiro é dada a oportunidade de produzir grãos, fibras, carnes e energia para atender a demanda crescente da população mundial. No entanto, só seremos capazes de aproveitar esta oportunidade com o uso da tecnologia. O agricultor brasileiro, de maneira espetacular tem dado mostra de sua capacidade empreendedora.

Assim, ao iniciarmos um novo ciclo de produção, com a incorporação de novos conhecimentos na forma de processo ou produtos, utilizando cada vez mais intensamente os fundamentos da gestão, as metas traçadas serão superadas.

Pesquisador – Embrapa Agropecuária Oeste

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