Mercado de leite deve se manter em alta, com preços maiores que o previsto

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Ângela Prestes – Destaque Rural

Os produtores de leite vivem bons momentos no que diz respeito ao preço pago pela produção. Na média Brasil, o primeiro semestre deste ano acumulou alta de 13,4%. O cenário de altas deve se manter neste mês de julho, mas prevê queda a partir de agosto, com o aumento da produção. De acordo com a zootecnista Juliana Pila, analista de mercado da Scot Consultoria, a entressafra e, consequentemente a menor produção, aumentaram a concorrência entre as indústrias de laticínios, o que tem dado sustentação ao mercado, mesmo com a demanda interna ainda comedida. Fatores como a alta nos custos de produção e clima desfavorável em importantes regiões produtoras colaboraram para esse cenário. “Além disso, no final de maio ocorreu a greve dos caminhoneiros que se estendeu até início de junho deixando um “buraco” no mercado de leite. Neste período o transporte foi prejudicado e muitos laticínios interromperam ou reduziram a captação de leite”, explica. Desde o pico de produção, em dezembro de 2017, até junho (parcial) o volume de leite coletado recuou 19,2%, segundo o Índice de Captação da Scot Consultoria (média nacional). A consultoria fez um levantamento que apontou, em média, um ganho de R$1,165 por litro, sem considerar o frete.

 

Pressão de baixa

Os valores devem se manter neste mês de julho, referente a produção de junho. Segundo Juliana, o mercado antes da greve vinha dando sinais de que os ajustes seriam menores daqui para frente, porém, depois da greve o viés de alta ganhou força e a intensidade dos aumentos deverão ser maiores que o previsto, até que o mercado se equilibre. “Para agosto (produção de julho), a pressão de baixa deverá ganhar força no Sul do país, com o aumento da produção, mas seguirá firme nas demais regiões, porém com reajustes menores que os observados anteriormente”.

A partir de setembro, diz a zootecnista, com a retomada das chuvas no país, a produção de leite deverá aumentar com mais força (início da safra) e, com isso, a pressão de baixa sobre os preços pagos ao produtor deverá aumentar. “A expectativa é de que este movimento de baixa perdure pelo menos até dezembro/18 ou janeiro/19, historicamente, meses de pico de produção”.

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