Março teve o retorno da chuva, mas só a partir da segunda quinzena

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Por Jossana Cera

Condições ocorridas

As chuvas retornaram em março, porém somente na segunda quinzena do mês. Antes disso, foram, em média, 15 a 20 dias sem chuvas, o que prejudicou as lavouras de soja que estavam em fase final de enchimento de grãos. O volume de chuvas não foi expressivo na região Oeste, Campanha e Sul, onde os acumulados ficaram abaixo da média (Figura 1). Em contrapartida a isso, a ausência de nuvens no céu proporcionou dias ensolarados, fator importante para as lavouras de arroz semeadas mais tarde.

As entradas de massas de ar mais frio ingressaram com mais frequência no estado, em Bagé, por exemplo, a temperatura mínima ficou abaixo de 10°C em cinco momentos.

Condição oceânica atual e prevista

O Oceano Pacífico Equatorial Central continua com anomalias negativas (Imagem 2), porém em fase de enfraquecimento. Como há resquícios desse resfriamento, a atmosfera ainda responde como La Niña, com a irregularidade nas chuvas.

O retângulo na Imagem 2 mostra a região do Niño 3.4, região que os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (índice que define eventos de El Niño e La Niña), onde se observa a área com anomalias negativas de temperatura, característica clássica de eventos La Niña. A área marcada pelo círculo, no Oceano Atlântico Sul, mostra que a região está com temperaturas pouco acima do normal (Imagem 2). O aquecimento/resfriamento no Oceano Atlântico Sul pode favorecer/desfavorecer a precipitação no Rio Grande do Sul, principalmente na metade Leste do estado, devido ao maior aporte de umidade na região.

Imagem 2

Previsão para a precipitação

As previsões do IRI (InternationalResearchInstitute for ClimateandSociety, da Universidade de Columbia-EUA) indicam que o trimestre Abr-Mai-Jun já será de Neutralidade climática, ou seja, aos poucos as condições de precipitação deverão se regularizar.

Com ainda pouco menos de 50% da área de arroza ser colhida, a necessidade seria por dias de tempo seco. No geral, para abril as chuvas devem ficar entre o normal e abaixo do normal. A previsão é de que passe ao menos uma frente fria por semana e elas virão acompanhadas pelo ar frio.

Existe certa diferença na previsão de anomalia de precipitação entre os dois modelos (Imagem 3) mas, no geral, eles indicam que as chuvas devem ficar entre o normal e abaixo do normal. Parece haver um indicativo também de que o déficit hídrico se restrinja à metade norte no mês de maio.

Recomenda-se ficar atento aos reservatórios que estão com nível de água muito baixo, pois o acumulado de chuva nos próximos três meses pode não ser suficiente para enchê-los.

Sempre que possível, deve-se fazer a colheita do arroz em solo seco. Após o término da colheita, manejar o solo para a próxima safra:

  • Limpando e fazendo a manutenção dos drenos;
  • Antecipando as reformas de bueiros e pontilhões, assim como os reparos nas barragens;
  • Ficar atento ao sistema de irrigação no caso de cheia em rios;
  • Fazer o preparo antecipado do solo sempre que possível, visto que sempre há riscos de chuvas volumosas durante a primavera.

Imagem 3

Jossana Cera é meteorologista, doutora em Engenharia Agrícola pela UFSM e consultora do Irga

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