Lavoura de Resultado beneficia agricultores familiares

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Reduzir custos de produção e exposição do agricultor aos agroquímicos, preservar o meio ambiente, evitar a resistência de pragas (insetos, doenças e plantas daninhas), melhorar a eficiência de controle e ainda aumentar a produtividade são os principais objetivos do projeto Lavoura de Resultado. Executado há quatro safras, pela Emater/RS-Ascar, em 52 Unidades de Referência Tecnológica (URTs), nas 12 regiões administrativas da Instituição, atualmente esses resultados estão sendo divulgados em todo o Estado por meio de 22 dias de Campo realizados entre fevereiro e março, com apoio e suporte dos parceiros Embrapa, Massey Ferguson e Syngenta.

Para o assistente técnico estadual (ATE) da Emater/RS-Ascar, Alencar Rugeri, o intuito desses eventos é levar a informação aos produtores para que eles possam usar bem essas tecnologias, diminuindo custos. Ele destaca que a gama de tecnologias disponíveis aos produtores atende as necessidades para uma boa produtividade. Mas que o planejamento com antecedência e as estratégias para as safras a curto, médio e longo prazo, são fundamentais para manter a produtividade e lucratividade. “E eventos, como a Expodireto, atendem perfeitamente essa lacuna, onde os produtores podem e devem buscar todas as informações e tecnologias possíveis e disponíveis para a tomada de decisão”.

O técnico em agropecuária do escritório municipal da Emater/RS-Ascar, de Mormaço, Dalvo Arcari, explica que o projeto consiste no acompanhamento semanal das pragas no intuito de racionalizar o uso de defensivos agrícolas na lavoura de soja por meio da principal ferramenta do projeto: Manejo Integrado de Pragas (MIP). Segundo ele, os produtores do município fazem até seis aplicações de inseticida para a lagarta e duas para o percevejo, por exemplo. “Nas URTs acompanhadas nessas últimas quatro safras, foi realizada apenas uma aplicação para percevejo e nenhuma para o controle da lagarta, porque não houve necessidade”.

O produtor Rogério Koenig, de Mormaço, conta que esse foi o primeiro ano que realizamos o manejo de pragas. “E foi muito bom. Praticamente não fizemos aplicações de agrotóxicos em uma área de cinco hectares, apenas uma aplicação para o controle do ácaro, tríplice e do percevejo que é utilizado o mesmo produto. Já para o controle da lagarta não foi necessário realizar nenhuma aplicação, quando a média é de seis aplicações. Quero continuar com o MIP, principalmente se tiver o apoio da Emater, pois o monitoramento não compromete a produtividade”.

Arcari afirma que é muito importante identificar corretamente a espécie que está danificando a lavoura e a amostragem populacional, por meio do monitoramento semanal com a técnica “pano de batida”. Os pontos amostrados na lavoura variam de acordo com o tamanho da área e, após feita a média das batidas de pano, a tomada de decisão parte da análise de vários fatores, como o estádio fenológico da soja, número de insetos pragas por espécie, percentual de desfolha, número de vagens com dano, fase de desenvolvimento do inseto, entre outros. “A aplicação é feita somente quando se justifica, sendo que o nível de controle se baseia nas pesquisas da Embrapa”, conclui.

Segundo Rugeri, o MIP é o que norteia toda e qualquer tomada de decisão na propriedade. “Nosso projeto em hipótese alguma coloca em risco o potencial produtivo da lavoura. Aliás, segundo resultados já apresentados, muito pelo contrário. A consequência tem sido melhor do que planejamos. Os técnicos têm maior segurança nas orientações e os agricultores estão satisfeitos. É através do conhecimento que se consegue avançar nos sistemas produtivos”.

Para ele, conforme a necessidade avaliada a partir desse processo de conhecimento interno e visualização dos gargalos de cada propriedade, baseados em diversos fatores, a primeira opção é de não aplicar nenhum tipo de inseticida; a segunda, é a aplicação de produtos biológicos; a terceira, de produtos seletivos e, em último caso então, é indicado o uso de produtos de ação total (que matam as pragas e, inclusive, os inimigos naturais). “Hoje existem muitos produtos que podem ser utilizados, mas a nossa proposta é saber como, quanto e quando aplicar esses produtos para que eles cumpram sua função sem sobrecarregar as plantas, o meio ambiente e sem reduzir a produtividade”, complementa Rugeri. “Quando utilizado o método químico, o produtor precisa conhecer o mecanismo de ação do produto a fim de manter presente a população de inimigos naturais, além de aliar tecnologia de aplicação para atingir o alvo e assim controlar eficientemente a praga”, complementa Arcari.

Conforme Rugeri, o produtor precisa plantar bem, de forma adequada, com um bom tratamento de semente, com uma velocidade de plantio adequada e com uso racional de defensivos.   “Produtividade nem sempre é sinônimo de lucratividade e, por isso, o produtor precisa de muito planejamento e profissionalismo. “Muitas vezes, o produtor acha que as tecnologias vão resolver, mas somente elas não são possíveis. É preciso acompanhamento técnico e periódico, muita informação e conhecimento para que os agricultores utilizem os insumos de forma racional em cada área da propriedade”.

Potencial produtivo e manejo do solo

Rugeri afirma que o potencial produtivo da lavoura, que pode ser expressado por uma boa rentabilidade, não depende somente do controle de pragas, mas de diversos fatores, como solo, clima, semente e adubação. Por isso, o projeto baseia-se ainda no acompanhamento do manejo do solo e plantio de qualidade, utilizando-se do potencial das máquinas e, principalmente, cuidando da velocidade de plantio, profundidade de semeadura, umidade do solo, qualidade e quantidade da semente a ser distribuída visando uma população uniforme, aplicação de agrotóxicos de uma forma profissional e consciente, com um volume de calda adequado para cada operação, observando-se fatores ambientais como temperatura, umidade e vento. “Tudo isso para evitar perdas, observando as regulagens necessárias e adequadas para cada período da colheita”.

Para o presidente da Emater/RS, Clair Kuhn, muitos produtores, ainda hoje, não buscam essas informações, ficando à mercê do conhecimento terceiros, o que pode elevar de forma significativa os custos. Não podemos seguir a orientação do que o vizinho fez nas terras dele, porque ultrapassou a porteira, atravessou a estrada, já é outra realidade. Cada propriedade é única na soma dos diversos fatores que influenciam a produção e produtividade local”, alertou.

Arcari reafirma que a agricultura é muito dinâmica, havendo uma interação de muitos fatores (clima, solo, fertilidade, rotação de culturas, cultivar, época de semeadura, controle fitossanitário, etc). “E dependendo da configuração desses fatores, pode ocorrer uma maior ou menor pressão, portanto, cada área da propriedade deve ser vista e manejada de forma individual, tanto na cultura, bem como no cuidado com o solo”.

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