Cenário para o agronegócio em 2018 é favorável, aponta especialista

Aumento no consumo e crescimento da economia mundial devem alavancar o setor brasileiro em 2018

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Ana Cláudia Capellari – Destaque Rural

“Em 2017, o agronegócio foi o salvador do Brasil. Está circulando na internet uma imagem que mostra um trator erguendo o país de um atoleiro: é a mais pura verdade”. A afirmação é do engenheiro agrônomo e doutor em administração pela Universidade de São Paulo (USP), Marcos Fava Neves.  No entanto, apesar de atestar a importância do setor para o país, o professor lembra que é necessário que não haja uma dependência dele e sim uma potencialização das oportunidades que o agronegócio possui. Para Marcos, o país só conseguirá esse feito se simplificar a vida do produtor rural em diversos âmbitos, como a facilitar a compra diminuir a burocracia no setor público.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que, para a safra 2017/2018, sejam produzidas 225,57 milhões de toneladas de grãos, cerca de 5,1% menos que na safra passada.  Entretanto, Marcos salienta que, mesmo com esses números, o período que vem pela frente é favorável para o agronegócio, com preços razoáveis e mercados a serem explorados. “O nosso grande mercado do futuro vai ser o mercado asiático, a população de lá irá aumentar e o consumo também. O futuro do agronegócio brasileiro é de produzir ‘aqui’, mas o consumo será fora, será preciso fortalecer as relações de troca”.  Ele acredita que uma estratégia para conseguir captar esse mercado com rapidez é oferecendo ao mercado aquilo que ele deseja. “Se o comprador quer, por exemplo, um boi vivo, o vendedor tem que vender o boi vivo, ele é quem manda”.

 

Custos de produção x rentabilidade

Para o produtor crescer no mercado e aproveitar as oportunidades, é preciso equilibrar os custos dentro da lavoura. Para Marcos, o custo médio de produção, se olhado sob uma perspectiva geral, em que coloca todos os produtores no mesmo patamar, é alto. “Quando são olhados os bons exemplos, de quem tem custos mais baixos, isso dá esperança de que qualquer produtor possa derrubar os custos se copiar as boas ações praticadas por outros”.  Dentre essas ações, o engenheiro agrônomo salienta que trabalhar em conjunto com a tecnologia para gerenciar a propriedade é uma das que mais gera valor ao agricultor.

 

 2018, um ano decisivo

Neste ano, além de todos os compromissos que o produtor deve olhar no calendário para programar a produção, há as eleições em outubro. De quatro em quatro anos, o mercado internacional e interno se volta para o décimo mês do ano, em busca de respostas para perguntas que norteiam as relações de troca.

Marcos acredita que neste ano a tendência é de a economia mundial crescer 4%, um dos maiores crescimentos registrados nos últimos anos, o que gerará mais demanda de produtos feitos no Brasil.  Ele também acredita que com o país saindo da crise – em 2017 houve crescimento de 1% na economia e para 2018 o crescimento é previsto em 3% – o mercado vai reagir e aos poucos o consumo vai voltar. “Por mais que tenhamos uma produção esperada um pouco menor, em função do clima não tão perfeito quanto o do ano passado, para uma demanda maior, isso deve trazer reações de preços, permitindo aos produtores uma situação mais confortável”. O doutor em administração ressalta que o agronegócio não será atingido pela crise, visto que a crise, ou o pior dela, já passou.

Em relação às eleições, Marcos defende a ideia de que será eleito um candidato pró mercado, e não pró Estado. “O brasil cansou da tutela do Estado, desse Estado gordo, ineficiente. A devolutiva dele pelo o que ele cobra da sociedade é muito aquém do que poderia ser pensada”, finaliza.

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