Ainda vale a pena plantar milho?

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Ana Cláudia Capellari – Destaque Rural

Para a safra 2017/2018, o Rio Grande do Sul tem uma projeção de 4 milhões e 600 mil toneladas de produção de milho. O consumo é de aproximadamente 6 milhões de toneladas. Esta conta, que não fecha, coloca o Estado na condição de importador do grão.  Não bastando, neste ano, a redução da área plantada chegou aos 12%.   “O que está acontecendo com o milho?”, indagou o economista chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, no 10º Fórum Nacional do Milho, realizado no primeiro dia da Expodireto Cotrijal.

Para ele, apesar da demanda mundial pelo grão crescer e a produção diminuir, vale a pena o produtor rural plantar milho. Não somente pelas questões agronômicas, mas pela cadeia que gira ao redor do grão. “É preciso olhar as perspectivas de longo prazo, se estas não fossem boas, eu, como economista da Farsul, seria o primeiro a dizer: parem de plantar milho. Mas é um bom negócio”, afirma.  A nova demanda mundial de consumo de milho está prevista em 239 milhões de toneladas, praticamente concentrada no continente asiático. Antônio ainda ressalta que se o Brasil quiser chegar neste mercado com antecedência e com qualidade, é preciso melhorar a infraestrutura das estradas e logísticas de portos para obter rentabilidade.

O que impede o produtor brasileiro de chegar neste mercado? Em dados comparativos com outros países, como Estados Unidos, Argentina e Uruguai, é possível notar que o problema está nos custos operacionais elevados. “Um fertilizante custa mais caro no Brasil do que nos Estados Unidos ou na Argentina. Muitas vezes, o mesmo fertilizante vendido no país vizinho é fabricado no Brasil e lá é mais barato do que aqui. Cerca de 34% mais caro no Brasil do que na Argentina”, diz Antônio. Os fertilizantes são apenas um dos exemplos, que também é possível estender aos agroquímicos.  A produtividade brasileira, apesar de alta, não se paga, por isso o produtor, na maioria das vezes, opta pela cultura mais rentável, que atualmente é a soja.  “Em termos de lucros, só ganhamos da Rússia, estamos atrás de outros três países produtores de milho, temos baixa rentabilidade pois é caro produzir”, salienta o economista.

Ainda de acordo com dados do estudo da Farsul em parceria com a Esalq, o Rio Grande do Sul também perde para outros estados brasileiros. Os custos de produção do milho gaúcho, comparados ao milho safrinha (ou segunda safra) do Mato Grosso, são 50% maiores. Antônio explica que este milho safrinha vindo do Mato Grosso possui subsídio para venda e por isso chegam com preço menor no Rio Grande do Sul.   “É fácil pedir para o produtor aumentar a produtividade, difícil é aumentar a competitividade”, finalizou.

 

Sobre o Fórum

O Fórum Nacional do Milho, que teve sua primeira edição na safra 2007/2008, viu a produção do grão aumentar de forma significativa em relação à tecnologia. Para o coordenador do fórum, Fabrício Klein, esse aumento da produção não condiz com o consumo. “Isso gera excedentes e faz com que o Brasil tenha cada vez mais um papel de protagonismo em nível global. Hoje o milho é a segunda principal commodity, mas o Brasil se consolidou como um grande exportador”, diz.

Neste ano, o foco do Fórum foi o abastecimento. Nos estados do Sul, por exemplo, Fabrício destaca que existe uma grande produção animal que depende do milho e que possui dificuldades nessa questão. Entretanto, no restante do país, há excedentes de produção.

 

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