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Queda de vagens na soja preocupa produtores, conheça os motivos

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Ângela Prestes – Destaque Rural

O abortamento de vagens na soja assustou muitos produtores pelo país. As principais ocorrências foram registradas nos estados do Mato Grosso do Sul e do Paraná, em que algumas lavouras chegaram a ter praticamente 100% de perda. A razão ainda é discutida pela pesquisa, mas pode ser considerada um somatório de uma série de ocorrências ao longo do ciclo produtivo. Várias regiões do Brasil enfrentaram falta de chuvas logo após a semeadura, o que comprometeu o estabelecimento e causou um grande estresse ao estande de plantas. De acordo com o Professor do Departamento de Ciência Agrárias da URI, o Dr. Alexandre Gazolla Neto, o reflexo dessas ocorrências somadas ao excesso de chuvas causa a falta de oxigênio para a respiração do sistema radicular da soja, causando um desequilíbrio hormonal, tendo como resultado final a queda de vagens. “Isso ocorre como forma de defesa da planta quando o sistema radicular enfrenta algum estresse. Além das chuvas, outros fatores contribuem para agravar essa ocorrência, tais como a utilização de cultivares precoces e o cultivo em solo compactado”.

Segundo o professor, a baixa aeração das raízes devido a alta umidade do solo provoca uma alta síntese e produção de etileno na planta. “Processo este que leva à produção de ACC nas raízes, que ao ser transportado para a parte aérea através do xilema, é convertido em Etileno pela ação da enzima ACC-oxidase. O excesso de etileno na parte aérea, entre outros sintomas provoca a queda de vagens”.

Alexandre explica que o encharcamento do solo também desencadeia aumento da síntese de ácido abscísico nas raízes, que ao ser transportado via xilema para a parte aérea das plantas, inibe as ATPases nas células estomáticas, resultando em fechamento dos estomatos e redução da atividade fotossintética das folhas. “Neste contexto, também entra em ação nas plantas de soja o estresse causado pela baixa luminosidade, reduzindo a produção de ATP e NADPH no estroma dos cloroplastos, limitando consequentemente o ciclo de Calvin e comprometendo a produção de carboidratos. A menor produção de carboidratos, destinados ao enchimento das vagens na soja, devido à menor taxa fotossintética das folhas, associado ao desbalanço hormonal, provoca o abortamento de vagens”.

 

Cuidados

Para as lavouras que já foram afetadas pelo problema, não há muito o que fazer, porém, é preciso considerar o grau de gravidade e o estádio da cultura. “Neste momento, devemos considerar que quando as chuvas cessarem a situação das lavouras volta ao normal e as plantas vão se recuperar. A soja possui uma grande capacidade de recuperação, principalmente as cultivares indeterminadas, mas isso vai depender de qual fase a lavoura se encontra”. Alexandre recomenda, antes de qualquer decisão, realizar uma avaliação do grau de comprometimento do potencial produtivo das áreas de produção. “Com relação ao planejamento das próximas safras, os agricultores devem considerar o manejo correto do solo para evitar a compactação e o estabelecimento de um estande adequado de plantas. O excesso de população e a utilização de cultivares precoces é um agravante nesta situação”.

 

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