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Ordenha robotizada na bovinocultura de leite

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Por Raquel Breitenbach

Os robôs, de modo geral, foram desenvolvidos tendo em vista a necessidade de realizar tarefas que geram muito esforço ou que têm ritmo difícil. A produção de leite nas propriedades rurais é um exemplo de trabalho complexo, somado a escassez de mão de obra qualificada disponível para contratação.

O sistema de ordenha robotizada (SOR) ou robô de ordenha surgiu com a promessa de facilitar os processos produtivos nas unidades de produção de leite, possibilitando aos bovinos leiteiros a ordenha sem influência humana. A partir desta tecnologia, os animais são identificados na entrada da ordenha e o equipamento tem capacidade de gerar índices individuais, como tempo da última ordenha, da entrada na área de espera, tempo de acesso à ordenha, número de visitas ao robô que a vaca realizou nas últimas vinte e quatro horas e produção diária de leite. O robô é composto ainda, por um braço automático que tem função de higienizar, aplicar pré-dipping e pós-dipping e anexar os copos coletores aos tetos. Ao liberar o leite, a vaca recebe ração por um alimentador automático. Caso o leite apresentar alguma desconformidade (mastite, antibiótico, etc.), é descartado pelo robô e os copos e mangueiras são lavados automaticamente.

Na escolha do local onde o robô será instalado, devem-se analisar as instalações já existentes e a estrutura de cada propriedade. A estrutura principal para o robô compreende local para alimentação e descanso dos animais, local de ordenha e porteiras automatizadas.

A ordenha também pode ser implantada em propriedades com sistemas a pasto, em que é necessária a construção de uma sala de ordenha e a aquisição do robô. Podem-se utilizar as instalações já existentes, desde que os animais tenham tráfego livre dentro das mesmas. As instalações precisam ser bem projetadas, a fim de reduzir as filas de animais para alimentação, para ordenha e para deitarem-se. Cabe avaliar a quantidade de vacas que serão alojadas, construindo salões de tamanhos adequados, reduzindo investimento desnecessário. A alocação deve estar de acordo com as exigências biológicas, fisiológicas e sociais das lactantes.

O ponto chave para a utilização dos robôs é a motivação voluntária da vaca em ir até a sala de ordenha. Se o animal não buscar a ordenha, acarretará em perdas econômicas, devido ao trabalho manual realizado na busca do animal e a interferência na rotina e bem estar da vaca.  Uma estratégia para que vacas busquem a ordenha é ofertar, como recompensa pós ordenha, alimentos mais palatáveis. Por outro lado, isso pode acarretar disfunções na fermentação do rúmen alterando o comportamento alimentar dos animais.

O período de adaptação, para que 80% a 90% dos animais use o sistema voluntariamente, é de três a quatro semanas. Normalmente animais mais jovens e agressivos adaptam-se mais facilmente.

Considerando que este sistema já é adotado em outros países a mais tempo, é possível identificar na literatura vantagens e desvantagens da adoção da ordenha robotizada. Destacam-se as listadas a seguir.

 

Quadro 1 – Vantagens e desvantagens do Sistema de Ordenha Robotizada (SOR) na bovinocultura de leite.

Na adoção de novas tecnologias, o agricultor precisa ter conhecimento sobre os resultados econômicos e rentabilidade desse equipamento. Melhores resultados são possíveis com aumento de produção e/ou redução de custos. De modo geral, a tomada de decisões sobre a implantação do sistema de ordenha automático enfrenta obstáculos de ordem econômica. Como exemplo, o alto custo de implantação e as oscilações no preço do leite e no mercado de lácteos, que dificultam a tecnificação do setor primário dessa indústria.

A viabilidade dessa nova tecnologia é afetada pelo número de vacas, produção, alimentação, capacidade de adaptação dos animais ao sistema, mão de obra e instalações. A falta de conhecimento dos resultados econômicos da implantação desta prática é o principal fator que torna receosa sua aquisição

Com um mercado cada vez mais competitivo, é fundamental que as propriedades estejam em constante evolução e que seus administradores realizem a gestão da mesma, a fim de manterem-se atuantes no setor. Para facilitar o processo de tomadas de decisões acerca deste novo modelo, podem-se realizar simulações de sistema de ordenha robotizada que atenda as necessidades econômicas e bem-estar dos animais.

 

Observações:

1- Agradecimento a Michelen Teixeira, Daniela Teles e Cleimar Grespan, bolsistas do projeto de pesquisa “Análise da viabilidade econômica da ordenha robotizada” que auxiliaram na coleta de informações.

2- Maiores informações entrar em contato.

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