Safra dos EUA acabou! Agora é com a gente!

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Clima na América do Sul e demanda chinesa serão cruciais para manutenção da trajetória de alta nos preços da soja

Frederico Schmidt

Apesar de a safra de soja não estar totalmente encerrada, com pouco menos da metade da área plantada já colhida, e registre-se que está com bom atraso na colheita em relação à safra passada; o mercado já não delega tanta atenção às lavouras dos EUA nesse momento. As condições das lavouras nos EUA nessa reta final não são ruins e historicamente possibilitam uma produtividade média entre 47,5 a 48,6 bushels por acre, o que permite alcançar as estimativas de produção.

Agora o foco já virou para a safra sul americana e também para o apetite chinês em relação às compras da oleaginosa ao redor do mundo. O clima no Brasil já tem dado as caras e já está causando alguns tropeços no começo da caminhada. O Centro-Oeste e Nordeste do Brasil estão com atrasos consideráveis e isso pode se traduzir em problemas no futuro, porém ainda é cedo para precificar. Tivemos anos iniciados com atrasos onde a safra foi encerrada sem grandes transtornos e tivemos anos iniciados dentro da janela normal de plantio e enfrentamos sérios problemas climáticos ao longo da safra, logo, o atraso do plantio não é por si só um grande fator de risco, desde que não persista por mais tempo. Como as previsões climáticas apontam retorno das chuvas para os próximos dias, o plantio deverá seguir com força total.

Os produtores de modo geral ainda estão seguindo a passos lentos na comercialização da soja, seja da safra nova, seja do remanescente da safra velha. Esse último movimento de alta após o relatório mensal do USDA em outubro pode ajudar a desencalhar algumas vendas, principalmente nos EUA. Os estoques do grão nos portos chineses estão abaixo da média, favorecendo assim as margens de esmagamento por lá, fatores esses que podem contribuir para um bom fluxo de compras nas próximas semanas.

Além disso, movimentos sazonais historicamente tendem a favorecer preços melhores para o final de outubro e em alguns anos esse movimento tende a se estender até novembro, raras vezes até dezembro.

De qualquer forma, esse momento de outubro, entre problemas de plantio no Brasil e boa janela comercial da China pode ajudar a manter os preços em patamares mais agradáveis aos olhos dos produtores e pode ser um bom momento para planejar adequadamente algumas vendas.

Um movimento mais forte de alta nos preços da soja dependeria ou do cenário político nacional ou de maiores problemas nas lavouras sul americanas. Logo, não convém esperar demasiadamente que um desses dois fatores ocorra. Esse é um daqueles momentos anuais em que é interessante buscar garantir ao menos o custo de produção e os preços atuais estão permitindo isso.

Concluindo, jamais fiquem 100% descobertos, os riscos são muito altos. Se optar por não fazer vendas antecipadas, existem ferramentas nos mercados futuros que podem lhe permitir trabalhar com maior conforto em relação à comercialização.

Bons negócios a todos!

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