Mercado de trigo observa possíveis perdas sobre lavouras do RS e PR

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Os agentes do mercado brasileiro de trigo avaliam as possíveis perdas sobre as lavouras dos dois maiores estados produtores do país, o Paraná e o Rio Grande do Sul. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, a produção que vem sendo colhida no Paraná já apresenta perda de qualidade, devido às diversas intempéries climáticas que atingiram as lavouras nesta temporada, podendo trazer redução da produtividade no estado. “No Rio Grande do Sul a situação era ainda mais grave ao início dos trabalhos de plantio, contudo, neste momento, ainda há expectativa de que novas precipitações poderão potencializar a recuperação das lavouras, não existindo ainda um quadro fechado sobre possíveis perdas de produtividade no estado gaúcho”, observou.

Rio Grande do Sul

Conforme a Emater/RS, as lavouras de trigo plantadas no Rio Grande do Sul, atualmente ao redor de 700 mil ha, se dividem entre as fases de desenvolvimento vegetativo (85%), em floração (10%) e o restante já em enchimento do grão (5%). A média para o período é de 68%, 25% e 7%, respectivamente. No geral o aspecto das lavouras melhorou com as chuvas ocorridas nas últimas semanas e com a adubação nitrogenada em cobertura. Porém, o porte das plantas na maioria das lavouras ainda é reduzido e as perdas de produtividade, devido ao baixo porte das plantas e à baixa população de plantas, poderão ser irreversíveis; uma melhor avaliação somente será possível em setembro, quando a maioria das lavouras estará em floração e formação do grão.

Conforme apurado pela reportagem da Agência SAFRAS, as lavouras de trigo de Panambi, no noroeste do RS, já mostram os impactos do clima durante o início do desenvolvimento. Segundo o engenheiro agrônomo da Cotripal, Dênio Oerlecke, a seca trouxe mais prejuízos do que o excesso de chuvas, uma vez que o plantio havia ocorrido na época adequada. “O trigo não perfilhou direito. A população de espigas ficou bastante reduzida; não tem como recuperar”, Oerlecke disse que as chuvas recentes e o clima frio “animaram um pouco”, possibilitando um melhor desenvolvimento e impedindo o surgimento de doenças. As lavouras estão em condições razoáveis e se dividem entre as fases de elongamento (50%) e emborrachamento (50%).

     A volta das chuvas sobre as lavouras de trigo, na zona de atuação da Cotrijuc, em Júlio de Castilho, na região central do Rio Grande do Sul, favoreceu uma melhora no desenvolvimento, bem como a aplicação de herbicidas, fertilizantes e fungicidas. Segundo o engenheiro agrônomo da assessoria agrícola da cooperativa, Felipe Mello, a região recebeu bons volumes de chuva no início de agosto. “Isso foi ótimo para as lavouras”, o engenheiro agrônomo divide as lavouras entre elongamento (50%) e emborrachamento (50%). As condições das lavouras são consideradas normais. Em termos de potencial, o nível é médio. A produtividade é esperada em 50 sacas por hectares.

Paraná

No Paraná, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), a colheita de trigo para a safra 2017 atinge 2% da área plantada com trigo, estimada em 962,535 mil hectares, foi colhida. Ela deve ficar 12% abaixo dos 1,099 milhão de hectares cultivados na safra anterior. Conforme o Deral, 50% das lavouras estão em boas condições, 32% em condições médias e 18% em condições ruins, divididas entre as fases de crescimento vegetativo (14%), floração (18%), frutificação (35%) e maturação (33%). A comercialização segue em 6%.

CIG

O Conselho Internacional de Grãos (CIG) elevou nesta quinta-feira sua projeção para a safra mundial 2017/18 de trigo em 10 milhões de toneladas, para 742 milhões de toneladas, puxada basicamente por uma colheita melhor que a esperada na região do Mar Negro. O órgão, em seu relatório mensal, também cortou sua previsão para a safra mundial 2017/18 de milho em 3 milhões de toneladas, para 1,017 bilhão de toneladas, refletindo produções menores na União Europeia e na China.

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