Tem mais chance de ser sucessor o filho que participa ativamente na propriedade

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por Raquel Breitenbach

 

Pode ser polêmico o que vamos discutir aqui, mas o que estou questionando é se vocês pais agricultores estão incentivando seus filhos a auxiliarem nas atividades desenvolvidas na sua unidade de produção agropecuária? Mais do que isso, que eles participem das decisões tomadas?

Se você quer que seu negócio rural tenha sequência e que seus filhos sejam sucessores, é imprescindível que estimule a participação deles, desde cedo, nas ações de trabalho e gerenciamento da propriedade. Isso é o que mostram algumas pesquisas recentes que desenvolvemos: aquele jovem que desde criança tem participação ativa na propriedade tem mais chances de permanecer como sucessor. O sucesso na transferência de patrimônio e sucessão depende de como os arranjos são construídos ao longo da vida dos agricultores. Trata-se de um aprendizado basicamente prático. Ou seja, a participação no processo de sucessão gerencial da propriedade é iniciada na infância com a participação ativa nas atividades da propriedade.

Na prática, cerca de 60% dos jovens da região Noroeste do Rio Grande do Sul participam do processo de gestão e também das atividades operacionais das propriedades. Porém, quando analisado por sexo, constatou-se diferença entre meninos e meninas. Dos meninos, em média 90% participam destas atividades, enquanto nas meninas a participação fica em 40%.

Como consequência, tem maior interesse dos jovens rapazes tanto em serem gestores, quanto sucessores da unidade produtiva que estão inseridos. Este fato pode estar associado a um reflexo da educação e do saber-fazer, transmitidos principalmente ao filho homem, com intuito deste assumir a responsabilidade sobre a propriedade. Em contra partida, tem menor participação das meninas na tomada de decisões, nas atividades agrícolas e no gerenciamento. Estes aspectos se relacionam ao menor entusiasmo e perspectiva destas em continuar como gestoras ou sucessoras na unidade de produção, optando pelo estudo, emprego e moradia no meio urbano.

Além disso, os pais estimulam os filhos a cursar faculdade, mas quando o assunto é sucessão rural e permanência no campo, a opção é não interferir nas escolhas dos filhos. Essa é a escolha de cerca de 70% dos pais agricultores. Os jovens que estão em contato direto com os pais, são também mais influenciados por estes em suas decisões. Porém, a existência de alguns fatores faz com que o passado dos pais nem sempre seja adequado para orientar o futuro dos filhos e a busca de conhecimento e formação acadêmica passa a ser fundamental. Dentre eles destaca-se: introdução de tecnologias nas etapas de produção, as transformações dos processos produtivos, mecanização, novas necessidades da sociedade/consumidores, a globalização e a industrialização.

Por fim, destaca-se que o envolvimento do filho nas atividades da propriedade não garantirá a permanência do mesmo no campo, nem mesmo como gestor da unidade de produção dos pais. Mas as chances serão aumentadas.

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