USDA indica maior oferta global de trigo e pressiona cotações

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O mercado brasileiro de trigo se aproxima do encerramento da segunda semana de agosto avaliando os números do relatório de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgados ontem. O documento estimou novo crescimento dos estoques finais mundiais frente ao relatório do mês passado e à temporada anterior. Conforme o analista da SAFRAS Consultoria, Jonathan Pinheiro, isso indica um crescimento significativo da oferta do cereal no mundo, que acarreta em maior pressão sobre as cotações de referência mundial nas bolsas americanas.

“Além disso, a redução dos estoques finais nos EUA foram inferiores ao esperado, potencializando o viés baixista das cotações em Chicago. Como principal consequência disso, os preços físicos em grandes exportadores mundiais, como a Argentina e os próprios EUA, poderão apresentar queda nas cotações, dificultando ainda mais a competição do trigo nacional, pelas paridades de importação, que atualmente seguem em baixa, principalmente em relação ao trigo dos vizinhos do Mercosul”, Pinheiro observa que, dentro do atual cenário, nem mesmo uma quebra de safra mais acentuada no Brasil poderia trazer preços superiores no âmbito doméstico, necessitando principalmente de uma valorização cambial mais efetiva para compensar esta queda dos preços externos.

USDA

A safra 2017/18 do cereal nos Estados Unidos é estimada em 1,739 bilhão de bushels, contra os 1,76 bilhão de bushels em julho, e os 2,31 bilhões de bushels produzidos em 2016/17. O mercado esperava o número em 1,713 bilhão de bushels. Os estoques finais do país em 2017/18 foram projetados em 933 milhões de bushels, contra 938 milhões de bushels do mês passado e bem abaixo dos 1,184 bilhão de bushels estimados para 2016/17. A expectativa de analistas consultados antes da divulgação ficava em 907 milhões de bushels.

A safra mundial de trigo em 2017/18 é estimada em 743,18 milhões de toneladas, contra 737,83 milhões de toneladas estimadas em julho. Para a safra 2016/17, o número ficou em 755 milhões de toneladas. Os estoques finais globais em 2017/18 foram estimados em 264,69 milhões de toneladas, contra 260,6 milhões de toneladas em junho. O mercado previa as reservas em 256,7 milhões de toneladas. Para 2016/17, o número ficou em 258,56 milhões de toneladas.

Lavouras do Brasil

Conforme a Emater/RS, a área semeada com trigo no Rio Grande do Sul se encontra com 95% das lavouras em desenvolvimento vegetativo (parte em emborrachamento) e 5% em floração. No geral o aspecto das lavouras não é bom, mas melhorou com a chuva ocorrida recentemente, o que possibilitou um melhor crescimento vegetativo e também viabilizou os trabalhos de adubação nitrogenada em cobertura, que estava atrasada. Em termos sanitários as lavouras estão com bom aspecto, sem presença significativa de doenças e pragas.

Entretanto, deve haver redução de produtividade em relação à expectativa inicial, devido ao longo período sem chuvas mais abundantes durante o perfilhamento e emborrachamento das plantas. A pouca comercialização de trigo só vem ocorrendo para troca de insumos para as lavouras de verão, ao preço médio de R$ 32,32 pra a saca de 60 kg.

No Paraná, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), a situação das lavouras em boas condições caiu bastante no estado e está em 47%. O estado tem ainda 35% em condições médias e 18% em situação ruim, divididas entre as fases de crescimento vegetativo (27%), floração (32%), frutificação (35%) e maturação (6%). A área estimada para o estado é de 955,835 mil hectares, recuo de 13% frente aos 1,099 milhão de hectares cultivados na safra 2015/16.

O Deral estima a produção 2016/17 de trigo do Paraná em 2,82 milhões de toneladas, queda de 19% frente aos 3,486 milhões de toneladas da safra passada. A produtividade média é estimada em 2.970 quilos por hectare, queda de 6% frente aos 3.171 quilos por hectare obtidos na temporada 2015/16.

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