SOJA: De nada adianta produtividade sem lucratividade

Simpósio da Soja - Bagé -RS
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4° Simpósio da Soja em Bagé debateu a produção de soja na região da Campanha

Redação Destaque Rural

Encerrada no início de maio, a colheita da soja chegou a dezoito milhões de toneladas no Rio Grande do Sul. Apesar do número recorde, os produtores vêm enfrentando um cenário desafiador. O volume de grãos não se traduz na mesma proporção em resultado financeiro. Nesta safra, o preço pago pela saca é 30% menor que no ano passado. E foi justamente para auxiliar o produtor nesse momento tão importante que o Sindicato Rural de Bagé realizou o 4° Simpósio da Soja, com o tema “Buscando produtividade com rentabilidade”.

A comissão organizadora do Simpósio observou a falta de um evento voltado para a cultura da soja na região da Campanha, já que a mesma se expandiu muito. Em Bagé, por exemplo, nos últimos seis anos, a área de cultivo de soja foi de seis mil hectares para 35 mil. “Observamos a necessidade de trazer tecnologias, também de empresas que estão se instalando aqui na região, tanto de maquinário, como de serviço, e congregar todos estes ‘atores’ do agronegócio num evento onde a gente possa trocar ideias, trocar informações e também que as empresas demonstrem seus produtos, seus serviços e os produtores possam fazer um comparativo do que está exposto aqui”, explica o presidente da Associação e Sindicato Rural de Bagé, Rodrigo Moglia.

Simpósio da Soja – Bagé -RS

O evento reuniu aproximadamente 700 produtores de Bagé e municípios vizinhos. Foram três dias de palestras, debates e oficinas com pesquisadores e profissionais renomados no mercado do agronegócio. Entre os temas discutidos entraram em pauta assuntos como gerenciamento, fluxo de caixa, planejamentos estratégicos, reservas e estratégias de comercialização. “Nos preocupamos em dar um enfoque especial à gestão da propriedade rural. Muitas vezes o produtor fica esperando aquele preço ótimo para vender o produto, mas aí ele tem um preço bom e não realiza a venda. Então a gente diz: o inimigo do bom é o ótimo, e aí ele deixa de vender a 80 reais a saca, por querer vender a 90, mas o preço vai a 70”, complementa Moglia.

Para Moglia, o grande entrave é que a rentabilidade dos produtores estava calcada na taxa cambial, fator que leva em consideração os investimentos feitos com as atividades habituais do negócio. “Não adianta uma produtividade a qualquer custo, temos que ver o que colocar, como colocar nas nossas culturas, por isso também a preocupação de trazer técnicos que tenham este enfoque da produtividade, mas sempre pensando nos custos da produção”.

A 5ª edição do Simpósio da Soja Bagé será ano vem, mas o presidente da Associação e Sindicato Rural de Bagé atenta a possibilidade de o evento ser de dois em dois anos.

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