Soja: decola ou despenca?

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*Frederico Schmidt

Nos últimos meses o mercado já vem sentindo algumas boas oscilações nos preços da soja. Apesar de o movimento mais brusco ter sido ocasionado por fatores políticos, a maior parte da volatilidade ao longo dos últimos meses se deve basicamente às expectativas climáticas. Ainda assim, a volatilidade média dos preços da soja na Bolsa de Chicago tem sido em média 20% inferiores à volatilidade dos preços de trigo e milho, o que mostra o espaço que há para a volatilidade nesse grão em especial.

O fato de não ter sido maior que os outros dois grãos, o que seria comum, mostra que o mercado ainda não tomou conhecimento do rumo futuro do mercado, ou seja, pode haver um movimento forte “escondido” nos preços e que pode se mostrar com mais força ao longo dos próximos meses, já que essa fase de julho e agosto costuma ser crucial para definir a safra, pois os impactos sofridos no plantio se refletirão agora e poderão ser mensurados com mais qualidade.

Outro ponto importante a ser observado é que nesse momento um movimento mais forte de alta ou de baixa não necessariamente implicarão em uma definição de tendências, já que ainda dá tempo de muita reversão no cenário da soja, basicamente por conta do clima.

No final de junho agora, dia 30, o Departamento de Agricultura dos EUA divulgará seu relatório trimestral de área plantada onde constarão os números oficiais mais recentes de área plantada, mas um ponto crucial é que esse relatório não captura as possíveis mudanças de plantio de quem migrou do milho para a soja, mas é o ponto de partida oficial para o mercado estimar a safra total, incluindo as próprias estimativas de migração de culturas e de replantios.

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O clima por sua vez, pelas últimas previsões de médio e longo prazos, está apontando para um verão mais quente e seco nos EUA esse ano, mas obviamente que essas previsões mudam constantemente, já que a longo prazo é difícil fazer previsões acuradas. A falta de condições para o desenvolvimento do El Niño também é outro fator preponderante para o mercado climático nos próximos meses.

Se juntarmos rapidamente esses poucos mais importantes fatores, vemos que o mercado pode tanto decolar nos próximos meses, caso os resultados do desenvolvimento vegetativo das lavouras nos EUA piorem e venham abaixo do que se espera na normalidade, bem como se o clima apresentar desafios nos próximos meses; como pode despencar, caso a safra dos EUA se confirme produtiva e acumule bons volumes juntamente com a já recordista safra sul-americana. Só para ter ideia do impacto negativo que pode ter no mercado, as vendas novas de soja este ano nos EUA estão nos níveis mais baixos desde 2009, já que a queda no real tem auxiliado muito as vendas no Brasil e os estoques atuais de soja deixam o mercado de certa forma confortável.

Portanto é importante ter na ponta do lápis os números dos seus custos, da safra velha para quem ainda tem contas a pagar e da safra nova, para fazer as vendas ao longo dos próximos meses. Os movimentos de alta precisam ser aproveitados com calma e paciência e não podem ser menosprezados nem desperdiçados, pois se tivermos uma safra boa confirmada nos EUA, os preços podem tranquilamente voltar a trabalhar abaixo de US$ 9,00 por bushels. Sonhar com US$ 10,50 por bushels não faz mal, nem estaria tão errado, pois alguns fatores futuros podem até fazer com que eles apareçam, mas é bom não contar com a sorte. Os preços da soja já mostraram que voltar acima de US$ 9,80 será muito difícil, portanto tudo que chegue perto disso e de preferência com câmbio favorável, é de se aproveitar e por a conta no bolso. E por último não se esqueçam, que a tendência atual do preço da soja é de queda, o cenário ainda não mudou.

Como já comentei em textos anteriores, ficar na mão do clima nunca é bom negócio, já basta a lavoura!

 

*Frederico Schmidt é Agente Autônomo de Investimentos pela Priore Investimentos e atua principalmente nos mercados de commodites agrícolas e câmbio. Nascido e criado no interior do Paraná está operando no mercado futuro de commodities desde 2007 através de instituições nacionais e internacionais  (frederico@prioreinvestimentos.com.br)

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