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E se o rally climático não vier?

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*Frederico Schmidt

Na última publicação desta coluna comentei sobre a importância de nunca contar com o clima na hora de comercializar e infelizmente o que mais tenho visto e ouvido do mercado de lá para cá é justamente a grande espera por um milagre climático, ou seja, um clima que prejudique a safra que está sendo semeada nos EUA.

Vimos algum esboço na semana retrasada e passada do que um clima prejudicial nos EUA pode causar nas cotações. Possíveis danos às lavouras por excesso de chuva e até neve fora de época jogaram as cotações dos grãos na Bolsa de Chicago para cima rapidamente, questão de 2% a 4% de alta em um pregão. Porém a confirmação de danos mais sérios ainda não surgiu, o que fez que as cotações acomodassem novamente nos níveis anteriores à alta.

Quem conseguiu vender naqueles dias provavelmente garantiu um bom preço para sua safra sim, já que não existem mínimas certezas de que as cotações voltarão àqueles patamares. Inclusive nos últimos dias a melhora nas expectativas da aprovação da reforma da previdência no Brasil fez o dólar cair mais forte, saindo de níveis próximos a R$ 3,20 para níveis ao redor de R$ 3,10 essa semana. Isso deve nesse momento soar como consolo para aqueles que venderam, mas andam com a pulga atrás da orelha de que poderiam ter feito negócio melhor mais a frente, caso a soja volte a subir.

Além disso, importante frisar que boa parte da alta foi especulativa, ou seja, com fundos de investimentos e especuladores zerando posições vendidas com medo de que o clima pudesse causar maiores surpresas. Isso só intensificou o movimento de alta que não necessariamente seria tão forte naquele primeiro momento.

Quem não negociou segue ainda na expectativa de novos movimentos nos preços, principalmente baseado em questões climáticas, que tragam maior rentabilidade. Recentemente os preços apresentaram novo movimento altista essa semana, porém agora sim baseados em um fundamento mais sólido: exportações. A China negociou volumes bem elevados de soja com os EUA, acima do normal para a época, o que trouxe ânimo para as cotações.

Agora, no entanto, a pergunta que fiz no título e faço novamente é: e se o rally climático não vier? O que serão das vendas pendentes? Estoque é custo. O ponto principal é que ainda é cedo para dizer também que o preço da soja despencará ladeira abaixo. Geralmente o mês de julho costuma definir o rumo da safra nos EUA e também ocorrem algumas preocupações em agosto, que é a época de floração da maior parte das lavouras nos EUA, porém raramente os estragos são grandes nessa época.

Até julho podemos esperar um mercado de neutralidade, naturalmente podendo sofrer impactos fortes caso surjam novidades, principalmente no campo climático e também nas questões de demanda. Com o que temos de informação hoje não dá para esperar por muita coisa, já que no momento, um dos maiores fundamentos da estabilidade nos preços é a boa demanda por soja nos EUA. Mas isso está acontecendo porque o produtor brasileiro está retendo a venda. Caso o preço melhor, o produtor brasileiro tende a soltar as vendas e com isso o preço em Chicago obviamente pode ter pressão negativa.

Trocando por miúdos, é uma faca de dois cumes e é um mercado num momento extremamente apertado para conseguir bons negócios, por isso a importância de não desperdiça-los quando surgirem. Se o rally climático não vier é importante estar preparado de alguma forma, principalmente através de papéis negociados em bolsa, os quais estão nesse momento relativamente baratos para fazer uma proteção de preço.

Bons negócios a todos!

 

*Frederico Schmidt é Agente Autônomo de Investimentos pela Priore Investimentos e atua principalmente nos mercados de commodites agrícolas e câmbio. Nascido e criado no interior do Paraná está operando no mercado futuro de commodities desde 2007 através de instituições nacionais e internacionais  (frederico@prioreinvestimentos.com.br)

 

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