CRISE POLÍTICA: E o agronegócio com isso?

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Um dos principais setores da economia brasileira é diretamente impactado pela instabilidade política

A comercialização da safra 2016/17 estava em ritmo lento, devido aos preços praticados pelo mercado. Pouco mais de 50% dos grãos colhidos já foram vendidos, segundo relatório da Safras & Mercado deste mês. A expectativa era de que os negócios prosperassem nos próximos dias, já que a economia começava a dar sinais de melhora.

Com a divulgação da delação dos empresários da JBS pela Polícia Federal, nessa quarta-feira (17), que coloca em cheque a administração pública e os governantes, o mercado reagiu e os negócios na Bovespa começaram a quinta-feira em queda. Os donos da empresa, Joesley Batista e o seu irmão Wesley Batista, disseram ter gravado uma conversa na qual o presidente Michel Temer teria dado aval a propina para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. As informações foram reveladas pelo jornal O Globo.

Para Claiton Santos, corretor de grãos, o período é turbulento, mas o mercado continua sendo especulação. O preço da soja (que é pautado pelo dólar) teve variação positiva de 6% na Bolsa de Chicago, influenciado pelos acontecimentos recentes. Mesmo com a queda, o preço da soja disponível no porto está cotado em aproximadamente R$70,00. “É como esticar um elástico e depois soltar. Muitos compradores estão apreensivos e esperando acalmar o mercado”, afirma Santos.

O cenário para o agronegócio, após delações, ainda é incerto, mas, acredita-se que as discussões do Funrural (que já estavam paradas) continuem do mesmo modo. As definições dos juros para o Plano Safra 2017/18 também.  Bruno Nascimento, corretor de grãos da New Agro Commodities, em entrevista a Destaque Rural ontem (17), acreditava que se as reformas propostas pelo governo passassem no Congresso, o mercado reagiria bem e, por consequência, mais dólar entraria no país. Para o corretor, a “insegurança jurídica” é um fator determinante para os negócios brasileiros.

ECONOMIA

De acordo com dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em abril, houve 59,8 mil pessoas a mais empregadas no país e quase a metade deste número – 24,7 mil – foi com carteira assinada somente no setor de serviços. A segunda maior fonte de empregos foi a agropecuária, com 14,6 mil. No Rio Grande do Sul, segundo a FEE (Fundação de Economia e Estatística) somente no primeiro trimestre deste ano foram gerados mais de 7 mil empregos formais no agronegócio. Apesar do resultado positivo, o número é inferior ao do ano passado.

INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS

O Banco Central afirmou, por meio de nota, que está monitorando o impacto das informações já divulgadas. De acordo com a instituição financeira, “não há relação direta e mecânica com a política monetária, que continuará focada nos seus objetivos tradicionais”. O Tesouro Nacional também emitiu nota e diz que “permanece monitorando os impactos decorrentes dos fatos políticos mais recentes”. O tesouro também ressalta que irá assegurar a funcionalidade e a liquidez dos mercados.

 

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