Produtores de trigo devem estar atentos ao vírus do mosaico

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Condição de umidade e frio até o mês de agosto pode favorecer a ocorrência da doença, principalmente em locais com histórico do vírus

Redação Destaque Rural

A previsão para o primeiro semestre de 2017 é de um ano neutro, sem influência de El Niño, com temperaturas amenas.  A distribuição de chuvas deve ser bem regulada durante os meses de maio, junho e julho, principalmente, sem grandes volumes. Essa condição de umidade e frio deixa os produtores de trigo em alerta, já que pode favorecer a ocorrência de uma doença das fases iniciais da cultura: o vírus do mosaico. Segundo o fitopatologista da Biotrigo Genética, Paulo Kuhnen, o agente causal é um vírus, que sobrevive em um fungo de solo. “Quando as nossas lavouras são semeadas em condições de solo frio e úmido, principalmente em locais onde já há histórico dessa doença, podemos ter a reincidência do vírus do mosaico”. O produtor deve estar alerta com a resistência genética da cultivar que ele vai utilizar, saber se a lavoura já tem histórico e cuidar as condições climáticas para evitar esse tipo de situação de solo frio e úmido durante a semeadura.

Já em relação a parte aérea da planta do trigo, essa condição de pouco frio, em torno de 13ºC a 15ºC não é muito favorável para a ocorrência de doenças. Entretanto, com essa distribuição das chuvas a partir de julho, o ano pode ser neutro, com viés positivo, elevação da temperatura e volume de chuvas acima da média. “Aí sim podemos ter problemas com manchas foliares e a ferrugem da folha do trigo”.

 

Primavera e a incidência de giberela

O clima com essas condições, de alto volume de chuvas e temperaturas um pouco mais altas pode levar a ocorrência da giberela, um fungo que ocorre na espiga do trigo. Conforme Kuhnen, é uma doença que ocorre frequentemente, causa danos em produtividade e afeta a qualidade de grão. “Esse fungo quando faz infecção na espiga do trigo pode produzir uma toxina que se chama desoxinivaleonol (DON)”. Visto que as condições climáticas podem estar favoráveis, o produtor deve tomar medidas para minimizar a ocorrência. “Hoje, nós temos cultivares com maior resistência genética ao fungo. A aplicação correta de fungicidas no período do florescimento do trigo também é uma saída”.

 

Manejo

Para a mancha amarela uma das principais medidas de controle é a rotação de culturas, ou seja, não semear trigo sobre trigo, já que o fungo consegue sobreviver na palhada. Kuhnen também recomenda fazer uma análise de semente antes do plantio para identificar a sanidade e, se for necessário, realizar um tratamento de sementes específico para mancha para fazer o controle das duas fontes de inóculo. Optar por uma cultivar mais resistente também pode fazer a diferença. Para o controle da ferrugem, as medidas são duas: escolher materiais com bom nível de resistência e fazer a aplicação de fungicidas.

Já a giberela é um fungo que consegue colonizar diferentes espécies vegetais, consegue infectar a espiga de trigo em uma ampla faixa de temperatura, de 15ºC até 30ºC. “O fator determinante é se vai coincidir, na lavoura do produtor, a fase do florescimento com o período de umidade relativa alta e chuva”.

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