“É a lei da oferta e da demanda” diz corretor sobre preços das culturas de verão

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O Brasil vive um sonho na parte de produtividade agrícola, mas na rentabilidade o produtor pode ter pesadelos

Diante de uma supersafra de grãos, (a Abiove – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais projeta 110,70 milhões de toneladas de soja) os produtores, além de ficarem otimistas com os números que os rodeiam, também ficam preocupados. É que a comercialização da soja está indo de encontro com a expectativa dos produtores. A saca de 60 kg de soja está na média de R$ 56,94, de acordo com a Emater-RS/Ascar, e por isso alguns produtores preferem armazenar o grão e esperar melhores preços para a venda. Já no milho, o preço é ainda menor. No último informativo conjuntural da Emater, a saca de 60kg do grão valia R$ 21,99.

O corretor da New Agro Commodities, Jean Rampon acredita que isto é reflexo do que é conhecido como lei da oferta e da demanda e de um excedente de produtos no mundo, ou como o corretor menciona, a indústria está abastecida. “O estoque mundial vai girar em torno de 87 milhões de toneladas e mesmo com o forte consumo da China, o excedente ainda vai ser grande, o que faz com que o preço recue”, comenta Jean. O corretor acrescenta que, aliado ao consumo que não cresceu e uma supersafra, o dólar recuou e o bushel, por consequência, também.

Apesar da alta produtividade, a dificuldade dos produtores em comercializar os grãos colhidos acendeu um alerta no Ministério da Agricultura. Os já conhecidos leilões PEP (Prêmio para Escoamento do Produto) e PEPRO (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural) foram disponibilizados para o milho do centro-oeste. O valor captado para os leilões é de R$ 800 milhões e promete dar esperança aos produtores de milho.  Para Jean, o incentivo governamental vai ajudar o mercado interno brasileiro, mas o corretor tem ressalvas. “Esses mecanismos e negociações são burocráticos, para esses leilões do PEP e PEPRO do milho de agora ainda não saiu edital, e por ser muita papelada, o produtor acaba desistindo”, afirma Jean.

Entretanto, as exportações amenizam as quedas de preços. No primeiro trimestre de 2017, o Brasil exportou 13,4 milhões de toneladas de soja em grãos, aumento de 24% em relação ao mesmo período de 2016 e volume recorde para o intervalo. Na Bolsa de Chicago (CBOT) tanto os vencimentos do primeiro quanto do segundo semestre de 2017 estão na faixa entre US$ 9,50 a US$ 9,60/bushel.

MUDANÇAS NOS PREÇOS

O que pode mudar o rumo dos preços das commodities brasileiras é uma mudança climática brusca nos Estados Unidos e Argentina. Rampon acredita que somente se elevadas quantidades de chuvas caírem nos países é que os grãos brasileiros podem ser afetados. No entanto, a semeadura do milho nos EUA está atrasada, conforme relatório divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Apenas 6% do total da área prevista já foram semeados. Na mesma época em 2016, o plantio já estava em 12%.

 

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