Produtores orizícolas do RS terão capacitação em gestão

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Graças à união de forças entre entidades, produtores arrozeiros do Rio Grande do Sul terão uma importante ferramenta para lidar de forma mais profissional com a gestão da propriedade. A iniciativa, que prevê uma capacitação em torno do tema, é do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) em parceria com o Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (Senar–RS), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RS) e Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). O assunto foi tratado em uma reunião-almoço na sede do Sebrae no centro de Porto Alegre nesta segunda-feira (17).

A capacitação prevê mais independência e segurança aos produtores gaúchos na tomada de decisões na propriedade. “Juntando as competências e os recursos das entidades, temos tudo para realizar um excelente trabalho. O Sebrae atua muito fortemente nessas questões relacionadas à gestão, planejamento e controle gerencial que a gente sabe que ainda são deficiências no campo. Sabemos que isso não é tudo, mas é uma parte muito importante”, resumiu o diretor-superintendente do Sebrae, Derly Fialho.

No projeto piloto, a intenção é atender 60 propriedades rurais nas regiões: Central, Zona Sul e Planície Costeira Externa. “A experiência com os produtores que já fizeram esse tipo de capacitação num passado foi muito gratificante. Por isso, buscamos retomar esse projeto investindo em algumas questões que o Irga não teria total autonomia e expertise para tratar, envolvendo o tema gestão. Teremos o suporte para avançar no Estado inteiro neste processo, até na própria questão de gestão do crédito, na qual, os produtores têm dificuldade”, esclareceu o diretor técnico do Irga, Maurício Fischer.

Duas ações do Irga que visam o aumento da produtividade a da rentabilidade dos produtores devem fazer parte do cronograma: o Projeto 10+ e o Soja 6.000. Além dessas frentes, dentro dos três módulos, o curso deverá focar na administração dos recursos humanos, controle de finanças, investimento em tecnologia, integração com o mercado e até de assuntos relacionados à organização e higiene da propriedade.

O convênio entre a autarquia vinculada à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) e o programa Juntos Para Competir (JPC), uma das frentes do Senar – RS, foi assinado durante a 27ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz em fevereiro deste ano e representou o pontapé inicial do projeto. O curso faz parte dos 31 projetos coletivos que o JPC prepara para 2017. A ação também deve envolver os sindicatos rurais do RS e associações de arrozeiros.

Os primeiros grupos deverão funcionar como unidades demonstrativas e o compromisso principal é com empreendimentos rurais de pequeno e médio porte, criando um modelo referência a ser multiplicado em centenas de propriedades que cultivam o cereal. “A capacitação no campo, assim como em outros setores, traz resultados surpreendentes. Começamos melhorando realidades individualmente e, com o amadurecimento dos trabalhos, é possível impactar toda cadeia produtiva”, declarou o secretário da Agricultura, Ernani Polo.

A seleção dos produtores participantes será realizada pelo Irga em conjunto com as entidades do setor nos municípios selecionados: Arroio Grande, Capivari/Palmares do Sul e Candelária. A primeira etapa ficará a cargo do Sebrae-RS e vai tratar do tema das Boas Práticas de Gestão para os Arrozeiros, seguindo do segundo módulo ministrado pelo Senar-RS que abordará a Aplicação Correta e Segura de Defensivos e da Legislação Ambiental. Os técnicos do Irga ficarão responsáveis por trabalhar o Manejo Integrado do Cultivo do Arroz (MICA) e o Selo Ambiental.

Uma nova reunião entre o comitê diretor e as equipes envolvidas no projeto está marcada para o próximo mês. A capacitação deve iniciar oficialmente em junho, contando com oito encontros quinzenais, além de consultorias. “É importante que os produtores enxerguem a gestão com uma visão mais ampla, entendendo a importância de colocar no papel todos os pontos importantes de funcionamento da propriedade. E, quanto a nós, também temos que ouvir as comunidades onde atuaremos porque as realidades mudam de acordo com cada região”, finalizou o consultor Luis Antonio Valente.

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