UPF é pioneira em curso sobre Trichinellas spiralis

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Técnicos de nível superior e médio participaram de qualificação para padronização e melhor diagnóstico do parasita

Um encontro de formação que visa promover a qualificação de profissionais que atuam no mercado de suínos. Esse foi o propósito do curso de Reciclagem sobre Trichinellas spiralis, promovido, nesta segunda-feira, 10 de abril, pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo (FAMV/UPF).

A Trichinellas spiralis é um parasita importante, podendo a doença ser transmissível dos animais para o homem. De acordo com a professora Maria Isabel Botelho Vieira, é uma doença que trata da segurança alimentar, muito importante, devido, principalmente, aos últimos fatos acontecidos aqui no Brasil. “O que nós realizamos aqui é um curso de reciclagem, de padronização do diagnóstico que é realizado dentro dos frigoríficos, da indústria, para que esses profissionais que trabalham nos laboratórios de Trichinellas estejam habilitados e sejam qualificados para realizar o diagnóstico segundo a padronização da OIE”, explicou a professora.

A professora também ressaltou que a Universidade de Passo Fundo é pioneira nesses cursos. “Somente nós somos responsáveis por esses cursos, porque temos um convênio com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e com a Associação Brasileira de Proteína Animal”, destacou.

O curso acontece de forma itinerante e teve três edições em 2016. Conforme a professora Maria Isabel, ele ocorre de acordo com a demanda e necessidade do mercado, sendo que essa é 29ª edição. Participaram da qualificação 24 alunos que possuem formação superior e média para atuação nas indústrias que atuam sob a supervisão do Ministério da Agricultura.

Como o diagnóstico é realizado 
A FAMV vem realizando o curso desde 2003 e a padronização das técnicas para diagnóstico são necessárias para o controle de qualidade da carne suína brasileira. “A Trichinellas spiralis é um parasita que está dentro das células e é detectado pelas técnicas de inspeção preconizadas pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Esse parasita é intracelular, dessa forma, não conseguimos perceber no exame de rotina realizado dentro dos frigoríficos, necessitando de uma técnica laboratorial para se fazer o diagnóstico dessa parasitagem”, explicou o professor Elci Lotar Dickel.

Embora o parasita não tenha sido detectado até o presente momento no Brasil, os países importadores exigem que sejam realizadas técnicas de rotina que busquem esse diagnóstico. “Através do laboratório, fazemos a gestão enzimática, ou seja, através dessa técnica, fazemos com que o parasita que está dentro da célula seja exposto em um microscópio e, com isso, fazemos a detecção desse parasita”, disse.

Conforme Dickel, nos suínos, o parasita não apresenta sintomas, contudo, é possível que seja transmitido para seres humanos, principalmente quando está presente em produtos crus, como salames, colocando em risco a saúde do consumidor.

Importância da qualificação
Mesmo não existindo Trichinellas spiralis em suínos no Brasil, a preparação de recursos humanos para atuar no diagnóstico do parasita é fator preponderante para a exportação da carne suína brasileira. “A importância disso é que o Brasil é o quarto produtor e exportador de carne suína no mundo e o governo brasileiro tem que se adequar aos procedimentos exigidos pelo comércio internacional”, disse.

A UPF recebe profissionais de diversos estados que buscam a qualificação para diagnóstico do parasita. “Temos, nesta edição, pessoas do Mato Grosso, Paraná e de Santa Catarina, que são funcionários do Serviço de Inspeção Federal desses estados e que vêm aqui em busca da padronização da técnica, uma vez que auditorias internacionais vêm ao Brasil verificar se esses procedimentos estão sendo cumpridos”, destacou o professor Dickel.

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