Compost Barn, free-stall ou semiconfinado: qual sistema é mais rentável?

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Por Raquel Breitenbach* 

Dando continuidade ao artigo anterior (http://www.destaquerural.com.br/compost-barn-na-bovinocultura-de-leite-potencialidades-e-desafios-por-raquel-breintenbach/), esse texto busca trazer subsídios acerca dos custos de produção e implantação para a tomada de decisão dos agricultores quando da escolha entre três sistemas de produção de leite: Semiconfinado, Free-Stall ou Compost Barn (Figura 1).

O objetivo é demonstrar de forma prática, a partir de dados de uma pesquisa empírica*, a viabilidade econômica comparativa dos três sistemas de produção de leite na Mesorregião Noroeste Rio-grandense. Ou seja, buscou-se responder qual sistema de produção é mais rentável mediante as várias situações/especificidades encontradas na região: Semiconfinado, Free-Stall ou Compost Barn?

 

Figura 1- Ilustração dos sistemas de produção Semiconfinado, Free-Stall e Compost Barn.

A pesquisa empírica foi realizada a partir da seleção de três (Unidades de Produção de Leite) UPLs modais de cada sistema de produção estudado. Ou seja, propriedades representativas da região para cada sistema (respeitando o processo produtivo mais utilizado na região de levantamento dos coeficientes técnicos para a elaboração do custo de produção). O ano agrícola considerado foi 2015/2016.

Os resultados da análise demonstraram que, considerada a média das propriedades estudadas nos três sistemas de produção, as características das mesmas no que se refere ao número de animais, unidades de trabalho homem (UTH) utilizadas para a atividade, área e produtividade, estas unidades diferem, embora não significativamente, como pode ser observado na Tabela 1.

 

Tabela 1: Características dos sistemas de produção Semiconfinado, Free-Stall e Compost Barn.

O sistema que apresentou maior utilização de área para a produção foi o sistema confinado Compost Barn, pois esse mesmo sistema é caracterizado, na região, por ter maior escala produtiva, tem maior número de animais e requer maior área para produção de alimentos. Número de pessoas envolvidas na atividade se mostrou semelhante entre os sistemas, enquanto a produtividade, medida em litros/animal/dia e litros/animal/ano foram maiores no Free-Stall, já a produtividade medida em litros/UTH/mês e litros/ha/ano foram maiores no Compost Barn.

Observa-se na Figura 2 que o preço recebido pelos produtores, custos de produção e, consequentemente, a renda agrícola da atividade é diferente entre os sistemas de produção analisados. Para o sistema produtivo Compost Barn, a escala produtiva das propriedades da região é maior comparativamente aos outros sistemas, o que faz com que a remuneração por litro também o seja. No que se refere aos custos de produção, ficou evidente um custo menor em R$ 0,10 para o sistema de produção semi-confinado. Por consequência, a renda agrícola por litro de leite foi maior para o sistema produtivo semi-confinado, seguido do Compost Barn e, por último, o Free-Stall.

 

Figura 2- Custos de produção (custos com depreciação, alimentação e outros custos) e remuneração e margem por litro de leite produzido nos sistemas de produção semi-confinado, free-stall e compost barn.

Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados da pesquisa

 

O Produto Bruto, Custos de Produção e Renda Agrícola também foram analisados tendo por base os três fatores produtivos mais importantes e que necessitam ser otimizados, quais sejam: terra, mão de obra e animal. Considerando o fator de produção mão de obra, chamado de unidade de trabalho homem (UTH), observa-se na Tabela 2 que o sistema produtivo Compost Barn foi o que mais remunerou por UTH utilizada. Já considerando o recurso produtivo animal, a maior remuneração foi obtida no sistema produtivo Semi-Confinado. Por fim, considerando a maior remuneração por área (ha) os sistemas produtivos Semi-Confinado e Compost Barn tiveram remuneração maior e muito próxima um do outro, se destacando o Compost Barn. O sistema Free-Stall não se apresentou como a melhor opção em nenhuma dessas análises.

 

Tabela 2: Produto Bruto, Custos de Produção, Renda Agrícola e sua relação com os fatores de produção terra, mão de obra e animal nos sistemas de produção Semiconfinado, Free-Stall e Compost Barn.

*UTH – Unidade de Trabalho Homem

**Custo Total =Distribuição do Valor Agregado (DVA) + Consumo Intermediário (CI) + Depreciação (D).

 

Além disso, outras análises foram realizadas. Dentre elas, destaca-se a que aponta que o Compost Barn é o sistema que mais imobiliza capital total. Porém, a análise do Retorno sobre o Capital Investido aponta que, em média, o sistema Semi-Confinado apresentou retorno de 7% ao ano (a.a.), Free-Stall de 3,6% a.a e Compost Barn de 5,4% a.a. Ou seja, o maior tempo de retorno do capital investido está no Free-Stall, especialmente pela disparidade entre propriedades analisadas.

Como observado, as análises não apontam para um sistema economicamente ideal. A decisão do agricultor deve se dar com base na análise individual de sua propriedade e, especialmente, considerando a disponibilidade dos fatores de produção terra, animal, capital e mão-de-obra.

 

*Professora, com doutorado em Extensão Rural/Professora do IFRS-Campus Sertão

**Colaboração de Frederico Trindade

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