Especialista explica como controlar parasitas em bovinos e manter a criação produtiva

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Parasitas podem tornar os animais subprodutivos e com isso trazer prejuízos aos pecuaristas. Investir no controle de manifestações é uma saída eficaz e de baixo custo

A atual conjuntura do agronegócio brasileiro está exigindo dos pecuaristas um maior entendimento dos reais problemas que impactam seu sistema produtivo. Neste contexto, um dos grandes vilões da bovinocultura moderna são as doenças parasitárias e as deficiências minerais subclínicas.

A ocorrência das parasitoses é a consequência de uma série de fatores ligados não só ao parasita em si, mas também ao hospedeiro, meio ambiente e manejo na propriedade. A principal consequência da infestação são animais subprodutivos, que além de precisarem comer mais para chegar ao peso dos saudáveis, causam outros grandes prejuízos. Bruno Lima, médico veterinário e gerente técnico da linha bovinos da Virbac do Brasil, cita os problemas e dá dicas de controle para que esses “sócios” indesejáveis não comprometam a produtividade dos rebanhos e o lucro das fazendas.

 

Categorias de bovinos mais suscetíveis aos parasitas

Os animais jovens são os mais vulneráveis devido à imunidade ainda não estar completamente estabelecida.  Os animais mais velhos são mais resistentes, pois possuem um sistema imunológico mais competente em função de infecções anteriores.

Contudo, uma boa nutrição aumenta a resistência dos animais às infecções parasitárias, e a correta suplementação mineral do rebanho ajuda a diminuir o grau de infecção nos animais. Períodos de carência alimentar aumentam a susceptibilidade aos parasitos e favorecem a ocorrência de sinais clínicos.

 

Formas de controle

Existem diversas estratégias de manejo que podem ser utilizadas no calendário sanitário das fazendas para um controle integrado dos parasitas, a fim de reduzir a contaminação dos animais e das pastagens, manter a eficácia das drogas antiparasitárias e os animais limpos e saudáveis.

O principal é que o pecuarista utilize as drogas antiparasitárias (anti-hemínticos e ectocidas) e observe a eficiência dos produtos, conheça e entenda a epidemiologia parasitária, a sazonalidade climática da região e os aspectos de manejo da propriedade. Com essas informações em mãos o pecuarista pode, juntamente com o técnico responsável pela sanidade do rebanho, escolher as melhores épocas de tratamento e bases antiparasitárias a serem utilizadas na fazenda.

O veterinário Bruno Lima alerta que, no Brasil, estima-se que 80% das doses de produtos antiparasitários utilizadas para controle de parasitas são usadas de forma inadequada. “Outro problema é que, normalmente, a as doses não estão inseridas em um programa de controle integrado estratégico e são utilizadas em épocas não específicas como no manejo de vacinação e em campanhas contra febre aftosa. Também é comum a utilização de subdosagens. Por isso a importância de ter um planejamento sanitário, com base nas épocas de maior incidência de cada tipo de parasita, respeitando as dosagens indicadas pelos fabricantes para evitar maiores prejuízos e obter sucesso nos programas de controle parasitários”, explica.

 

Custo baixo e grande retorno

Bruno cita ainda um estudo feito pela Esalq/USP, que aponta o quanto o custo para controle dos parasitas é baixo: giram em torno de 1,5% do total de custos da atividade pecuária. “Uma vez que este custo é baixo e o retorno é alto, devemos considerar que na verdade é um investimento”, afirma Bruno.

 

Sinais de infestação

Somente uma pequena parcela dos animais apresentam sinais clínicos visíveis, como perda de peso significativa, anemia, diarreia e pelagem opaca em consequência das infecções parasitárias.

O grande problema está nos animais assintomáticos com infecções subclínicas, ou seja, animais que estão infectados e o pecuarista não consegue identificar. Esse tipo de infestação causa grandes prejuízos em longo prazo na fazenda, pois os animais ficam menos produtivos, com baixa imunidade e mais susceptíveis a outras infecções. As parasitoses subclínicas impactam negativamente os índices produtivos e reprodutivos das fazendas, causam queda da produtividade de leite, menor ganho de peso, redução nos índices reprodutivos, aumento na taxa de mortalidade, dentre outros.

 

Informação é essencial

O papel das empresas e dos médicos veterinários é alertar os pecuaristas sobre as consequências do problema das parasitoses e mostrar quais são as estratégias mais eficientes para seu controle na fazenda, mas cabe ao pecuarista manter-se informado e estar consciente dos perigos para evitar prejuízos e obter mais lucros.

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