Operação Carne fraca: menos de 0,5% do total de frigoríficos está sendo autuado

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
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Frigoríficos e empresas ligadas ao ramo alimentício podem perder negócios. Imagem do Brasil no mercado exterior também será afetada

A Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal na sexta-feira (17), investiga 40 empresas do ramo alimentício que são suspeitas de ter envolvimento em um esquema de corrupção. Esse esquema liberava o comércio de alimentos sem a devida fiscalização sanitária. Os produtos sob suspeita são os industrializados. A carne in natura – aquela que não foi manufaturada, ou seja, não passou por uma indústria – não entra na investigação.

Após dois anos de investigação da PF, 21 fábricas foram autuadas, de um total de 4.837 fábricas e frigoríficos brasileiros, dentre eles a JBS e BRF. A investigação também recai sobre 33 fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

O Brasil possui o maior rebanho bovino do mundo: 214 milhões de cabeças de gado. De acordo com o IBGE, há mais cabeça de gado no país do que gente (204 milhões). Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, a CNA, o mercado movimenta quase 200 milhões de reais e emprega sete milhões de pessoas. Todos esses números renderam ao Brasil a posição de segundo maior produtor de carne do mundo, atrás somente dos Estados Unidos.

Para Hyberville Neto, médico veterinário e integrante da equipe da Scot Consultoria, um ponto que não é explorado é o market share das empresas envolvidas. O termo designa a participação de uma empresa em algum ramo de atuação.  “Pode afetar a participação de mercado dessas empresas, negócios podem ser perdidos”, afirma.  O médico veterinário também ressalta o número de estabelecimentos envolvidos na operação e o significado disto para a pecuária. “O foco deve ser demonstrar que esses casos sinalizados foram pontuais. O problema existe e deve ser resolvido, mas são problemas dentro do global do que podemos analisar de pecuária nacional, de sanidade como um todo”, finaliza Neto. Ele acrescenta que esse tipo de caso é restrito, mas que não tira o impacto para o mercado externo e para a população brasileira. Menos de 0,5% do total está sendo autuado de acordo com a PF.

Hyberville acredita que em curto prazo as exportações brasileiras serão afetadas e que em longo prazo não é possível fazer uma previsão. “Vai depender muito do trabalho que será feito, é relativamente cedo para saber, eu acredito que isso possa ser revertido”.  A União Europeia planeja suspender os frigoríficos investigados. Chile e Coreia do Sul, que anunciaram bloqueio à carne brasileira, voltaram atrás na decisão após conversa com o ministro da agricultura, Blairo Maggi. A China demonstra que pode recuar na suspensão de compras do Brasil.

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

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