Compost Barn na bovinocultura de leite: potencialidades e desafios/Por Raquel Breitenbach

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Raquel Breitenbach* 

Regiões do Rio Grande do Sul que desenvolvem a bovinocultura de leite de forma profissional têm investido em sistemas produtivos mais intensivos, destacando-se recentemente o Compost Barn (Figura 1). Parte disto é devido ao predomínio de propriedades da agricultura familiar, que dispõem de menor área produtiva, mas que desejam aumentar a renda acrescendo a escala produtiva sem, por exemplo, diminuir a área para produção de soja.

O Compost-Bedded Pack Barns (CBPB) ou Compost Barn como comumente é chamado, é um sistema de habitação relativamente recente na bovinocultura de leite no Brasil. Trata-se de um sistema habitacional alternativo de confinamento para vacas leiteiras. São galpões em que toda a superfície da área de repouso é coberta com cama profunda, que é freqüentemente agitada (indicação técnica de duas vezes ao dia), a fim de incorporar o esterco fresco na cama e melhorar a evaporação de água, como pode ser visualizado nas Figuras 1 e 2.

Figura 1- Representação de um Compost Barn no Brasil.
Foto: Leonardo Michelon Bertoldi e Celso Bertoldi. Propriedade: Celso Bertoldi e família.

 

Tais sistemas geralmente demandam altos investimentos e consequente estudo por parte do produtor acerca da viabilidade do negócio, o que nem sempre ocorre. Neste texto o objetivo é apresentar os aspectos positivos do sistema Compost Barn, bem como suas limitações, tendo como base as experiências de produtores de outros países que utilizam o sistema por cerca de duas décadas, além de experiências dos produtores do Noroeste do RS, que têm adotado o sistema recentemente.

Figura 2- Instalações de Compost Barn e sala de ordenha.
Fotos: Leonardo Michelon Bertoldi e Celso Bertoldi; Propriedade: Celso Bertoldi e família.

 

Experiências com Compost para vacas leiteiras são relatados na literatura dos EUA (Estados Unidos da América), Israel, Holanda, Canadá e Áustria. A literatura relata que os primeiros Compost são de Minnesota em 2001; mas desde 2006 são largamente utilizados na Itália; e na Holanda faz parte da maioria das fazendas leiteiras.

Nestes países, os agricultores têm mencionado como principais razões e vantagens para adotar o Compost Barn o que é apresentado no Quadro 1.

Quadro 1- Vantagens apontadas pelos agricultores dos EUA, Israel, Holanda, Canadá, Áustria, Itália e Holanda ao adotar o sistema Compost Barn. Fonte: Elaborado com base em ¹; ²; ³; e 4.

 

Por outro lado, estes agricultores também mencionam razões que dificultam/dificultaram a adoção do Compost Barn em suas propriedades, conforme segue no Quadro 2.

Quadro 2- Dificuldades ou desvantagens apontadas pelos agricultores dos EUA, Israel, Holanda, Canadá, Áustria, Itália e Holanda ao adotar o sistema Compost Barn. Fonte: Elaborado com base em ³ e 4.

 

No Brasil, mais especificamente na região Noroeste do RS, os agricultores têm relatado como fatores que motivaram adotar o sistema: a) visualizaram em outras experiências o aumento da produtividade; b) considerando que o pagamento do leite é realizado com base no volume e na qualidade, as expectativas de renda aumentariam; c) possibilidade de otimizar as áreas agricultáveis com intensificação da produção; d) menor demanda de mão-de-obra; e) necessidade de tecnificar da atividade; e e) melhoria na qualidade de vida dos familiares.

Considerando o posicionamento daqueles que já têm o sistema implantado por cerca de um ano, apontam vantagens e desvantagens, conforme Figura 3.

Figura 3- Vantagens e desvantagens apontadas pelos agricultores do Noroeste do RS ao adotar o sistema Compost Barn. Fonte: Elaborado com base em 5.

 

A dificuldade de gerenciamento e de custos da cama do Compost foi comum às distintas realidades e se mostrou como a preocupação mais importante dos produtores. Opções alternativas de cama para o Compost estão sendo testadas, mas os resultados preliminares indicam que a serragem é a melhor opção. Porém, combinações de serragem com outros materiais, tais como soja finamente moída, palha de linho finamente processado, espigas de milho, palha de trigo e subproduto de aparas de madeira podem funcionar relativamente bem³.

No RS observa-se que existe maior predominância de camas compostas por misturas de serragem e maravalha; seguido de camas com serragem, maravalha e casca de arroz (misturadas); e, em menor proporção, apenas serragem.  O revolvimento da cama é realizado duas vezes ao dia, durante a ordenha dos animais. Por fim, a realidade do estado mostra que a cama tem sido reposta mensalmente e trocada totalmente uma vez ao ano, quando a cama retirada é aplicada nas lavouras das propriedades como adubo orgânico5.

Raquel Breitenbach* Professora, com doutorado em Extensão Rural/Professora do IFRS-Campus Sertão

Referências:

¹ALYSON, Black Randi, “Compost Bedded Pack Barns: Management Practices and Economic Implications” (2013). Theses and Dissertations–Animal and Food Sciences. Paper 13. Disponível em: http://uknowledge.uky.edu/animalsci_etds/13. Acesso em: 15 jan. 2016.

²ENDRES, Marcia I. Compost Bedded Pack Barns – Can They Work For You? University of Minnesota, Department of Animal Science, 1364 Eckles Avenue, St. Paul, WCDS Advances in Dairy Technology, Volume 21: 271-279, 2009.

³LESO, Lorenzo.; UBERTI, Maurizio.; MORSHED, Wasseem.; BARBARI, Matteo. A survey of Italian compost dairy barns. Journal of Agricultural Engineering,  2013; volume XLIV: e17

4SMOLDERS, Wijbrand Ouweltjes Gidi. On farm development of bedded pack dairy barns in The Netherlands. Report 708. Publisher: Wageningen UR Livestock Research, P.O. Box 65, 8200 AB Lelystad, March 2014. This project is funded by the Ministry of Economic Affairs, from the policy support research, BO-22.02-012-005.

5RODRIGUES, Guilherme. Afonso. et. al. Compost Bedded Pack Barn – Alternativa de Produção Intensiva de Leite para a Microrregião de Passo Fundo – Rio Grande do Sul. XXVI ZOOTEC 2016. In: Anais… Santa Maria – RS, 11 a 13 de maio de 2016.

 

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