Agricultura preserva 21% da área ambiental do RS

Foto:| Ana Cláudia Capellari
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Áreas preservadas pela agricultura correspondem a 13 vezes das áreas protegidas por unidades de conservação e áreas indígenas. Papel é cumprido pelos 460 mil agricultores gaúchos mapeados pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR). Dados foram divulgados durante o 28ª Fórum Nacional da Soja, na 18ª Expodireto-Cotrijal

O reconhecimento do importante papel que a produção agrícola cumpre na conservação ambiental foi um dos temas abordados durante o 28ª Fórum Nacional da Soja, realizado na manhã de terça-feira, 07, durante a 18ª Expodireto-Cotrijal, em Não-Me-Toque, Rio Grande do Sul.

Evaristo E. de Miranda, agrônomo, pesquisador, escritor e coordenador do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (GITE) da Embrapa, chefe geral da Embrapa Monitoramento por Satélite e membro do Conselho Superior do Agronegócio da FIESP, levou dados relevantes relativos ao CAR – Cadastro Ambiental Rural, fazendo um chamamento à entidades como Farsul para que divulguem a importância do setor agrícola na conservação ambiental. “Segundo mapeamento são 460 mil agricultores no Rio Grande do Sul que preservam 21% da área ambiental do Estado. Em preservação nativa e ecossistema aquático a agricultura preserva 13%, enquanto que todas as unidades de conservação e áreas indígenas conservam juntos 1%. Então os agricultores preservam 13 vezes mais e precisam ser reconhecidos. Não há nenhum profissional nem entidade que preserva tanto o meio ambiente como o produtor ”, garante o especialista.

Entre os dados divulgados por meio do CAR, 12.184 áreas já estão atribuídas no Brasil, entre unidades de conservação, terras indígenas, assentamentos, quilombolas e áreas militares, somando 37% do território nacional legalmente atribuído. “São terras que já tem dono, não há o que fazer. O que podemos buscar é o apoio político para ume revisão do Código Florestal em cada Estado. As entidades e organizações ligadas à área poderiam fazer um movimento para buscar estas mudanças e trazer mais segurança jurídica aos produtores. Isso pode ser feitos pelos sindicatos, associações e federações”, disse. O engenheiro explica que os dados são específicos por municípios, microrregião, pelas grandes bacias hidrográficas e biomas e ainda precisa revisões em alguns casos. “Os produtores da região de Pampa do RS declararam suas terras como pasto, não como vegetação nativa, com medo de reduzir sua área e isso tem razão de ser. Porém com estes dados a faixa de Pampa aparece com menos de 10% da área preservada o que não é correto. Este é um dos casos que precisa ser revisto”.

A área rural gaúcha chega a 26.876.628 hectares

Áreas já atribuídas no Brasil

1.871 unidades de conservação

600 terras indígenas

9.349 assentamentos

296 quilombolas

68 áreas militares

Hoje quem mais preserva o meio ambiente é o agricultor”.

Foto: Rosângela Borges

 

Brasil no mesmo balcão da Argentina?

Especialista sugere criação de uma Organização dos Países Produtores de Proteína onde Brasil e Argentina poderiam juntar forças para comercializar soja para China com previsão de safra, garantindo assim estabilidade ao produtor

Que a soja é o produto de ouro do mercado agrícola, ninguém tem dúvida. Mas, o que o produtor espera para o futuro? O mercado volátil, a cada ano ainda traz instabilidade. Como investir de forma certeira por cinco, ou até dez anos, sem depender da flutuação anual? Tudo isso é possível. É o que afirma o engenheiro agrônomo e consultor Dirceu Gassen. Durante o 28% Fórum Nacional da Soja, realizado no pavilhão central da 18ª Expodireto-Cotrijal, o especialista sugeriu a criação de uma Organização dos Países Produtores de Proteína, onde o Brasil e a Argentina poderiam vender soja para a China num mesmo balcão. “Os chineses tem a lógica de expectativa de produção. Eles investiram na Amércia do Sul, compram três multinacionais unindo a rede de compra de grãos e distribuição de insumos com o objetivo de alimentar os chineses. Argentina e Brasil poderiam estar trabalhando junto neste processo e assumir essa função. Acredito que a remuneração vem da organização de rede entre os países e isto pode ser feito”, garante o consultor.

Foto:| Ana Cláudia Capellari

Gassen explicou que 9% da população mundial está no hemisfério sul e outros 91% no hemisfério norte. “Somos a horta de produção de alimentos para o hemisfério norte e 60% desta população está concentrada na China, Índia, Bangladesh e países da Indonésia. Assim o produtor saberá no que investir nos próximos 10 anos e não precisa ficar na dependência da flutuação anual, estabelecendo inclusive normas de boas práticas para sustentabilidade e sobrevivência do ser humano. A soja é um produto espetacular: tem quase 40% de proteína e 20% de óleo comestível. É uma grande demanda para países asiáticos e europeus. Só precisamos nos organizar. EUA, Argentina e Brasil produzem juntos 83% da soja e nada mais adequado que organizar o sistema de produção e de estabilidade”.

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