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A vez dos produtos sem lactose

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A burocracia ainda emperra a produção de produtos sem lactose no Rio Grande do Sul. O Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) busca abreviar a espera dos pequenos e médios produtores e dar suporte para que compreendam a legislação. Assunto foi um dos temas do 13º Fórum Estadual do Leite, na 18ª Expodireto-Cotrijal

Rosângela Borges

Em 1º de janeiro de 2018 entra em vigor a Lei da Rotulagem e a necessidade de adequação dos produtores, inclusive na busca por produtos diferenciados como leite e derivados orgânicos ou sem lactose, segue preocupando. O pequeno e médio produtor, muitas vezes, não se vê respaldado pela legislação.

De acordo com o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, a dúvida hoje está no processo de rotulagem deste tipo de produto. Ele explica que a Justiça Federal não permitiu que o Rio Grande do Sul produzisse produtos sem lactose. Porém, uma nova legislação permitiu que toda pequena e média empresa consiga também produzir este tipo de produto. “O que precisamos agora é desburocratizar para dar condições aos produtores de leite. A ANVISA já baixou a regulamentação. Nosso entendimento é de que os produtos com baixa ou zero lactose podem ser comercializados, mas existe uma questão que é a necessidade de análise laboratorial e tabela nutricional, que ainda geram dúvidas”, explicou. No próximo dia 25 de abril, o Sindilat irá promover o Fórum Itinerante em Palmeira das Missões. O evento servirá para que as pequenas e médias empresas esclareçam sua dúvidas se adequando às exigências da legislação. “Se os produtos sem lactose são modismo, ou não, a indústria precisa estar preparada e nós precisamos dar condições a estas empresas para entrar com este tipo e produto”.

Foto: Ana Cláudia Capellari

O leite é um produto de giro mensal

Darlan destaca que a Lei 14.835, conhecida como a Lei do Leite, foi construída entre todas as entidades e é positiva, sendo uma legislação criada para qualificar a produção e coibir fraudes. “É uma prestação de contas ao consumidor, se tornando um divisor de águas. O Rio Grande do Sul é um estado exportador de lácteos e precisamos ter esta compreensão dos governos em relação a esta cadeia, à sua importância na economia mensalmente”, disse. O especialista garante que é necessário um cuidado especial com a produção de leite por envolver a economia dos municípios, mais do que o próprio grão. “O movimento econômico é mensal. Acreditamos que a produção leiteira nos municípios é importante para a manutenção do homem no campo. Atividade leiteira é a principal atividade de muitas pequenas propriedades e precisamos manter estes trabalhadores no campo”.

Inspeções municipais devem permitir a competitividade

Darlan salienta que é preciso que prefeitos estejam sintonizados com a cadeia leiteira e valorizem a atividade, garantindo a legislação para comercialização fora das barreiras do município. Semelhante ao que ocorreu a partir do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI), abrindo novos mercados para a produção. “Este é o grande apoio para que as empresas menores possam vender produtos para fora do Estado, mas precisamos que as inspeções municipais permitam a competitividade. Não há como não consumir fora dos municípios. Precisamos organizar esta rede e simplificar as questões burocráticas. Este também é um compromisso do sindicato”.

Foto: Ana Cláudia Capellari

Os produtores precisam investir menos na estrutura e mais no que gera leite”

Na ânsia pelo rendimento, os produtores de leite acabam investindo muito em estrutura e pouco para gerar leite, faltando recursos para pagar esta estrutura. Quem chama a atenção é Wagner Beskow, pesquisador, consultor e sócio diretor da Transpondo. Ele garante que investindo em manejo, adubação e fertilização, haverá mais comida, gerando mais caixa a quem produz leite. “É preciso analisar o que se transforma em leite: cimento, adubo, calcário, herbicida, inoculante para cilagem. Cimento e ferro são proteções, são produtos indiretos que, em litros de leite, demoram a render. Então, é preciso fazer o mínimo de investimento neste tipo de produto”. O consultor explica que investir em maquinário, por exemplo, é algo que deve ser muito bem analisado. “Precisa-se ter a garantia de mais leite para pagar o equipamento. Senão, se torna inviável. O produtor deve gastar nas coisas certas e acabar com a crença de que para ganhar mais, precisa gastar menos, porque isso não ocorre. Mas é preciso saber onde colocar o dinheiro. Muitos erram porque não sabem onde investir. Há produtores com 1% negativo e outros com retorno positivo de 19% e é neste tipo de comparação que percebemos que há erros pontuais na hora de investir”.

Projeções de mercado

O mercado internacional tem tido bons resultados nos últimos três anos, mas já deveríamos estar num patamar melhor na área internacional. Tivemos uma queda inesperada, mas localizada, com recuperação de preços que deve continuar. Acredito que oferta e demanda terão recuperação gradual e que deve continuar no exterior, lembrando que é preciso observar o comportamento na nova Zelândia, de preço pelo consumidor, até junho de 2018”.

 

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