Milho: sem medo de produzir

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Brasil deve exportar 27 milhões de toneladas de milho em 2017

Rosângela Borges

Produzir sem medo. É assim que os especialistas enxergam a cultura do milho: como algo rentável, estabilizado e garantido a longo prazo. Durante o 9 Fórum Nacional do Milho, uma das programações da 18 Expodireto-Cotrijal, o consultor Carlos Cogo afirmou que depois de uma safra em que os preços chegaram a R$ 60,00 a saca, as dúvidas e incertezas por parte dos produtores para aumentar a produção, crescem. Mas, na contramão dos descrentes, ele aponta para um cenário de grandes perspectivas, com estabilidade nos preços, aumento da exportação e, por conseqüência, necessidade de aumento da produção. “Os preços do milho estão um pouco abaixo da média histórica dos últimos anos, não há porque se preocupar demasiadamente. Ainda é necessário compreender que tivemos duas quebras de safra, aumento do dólar, entre outros fatores que ocasionaram o grande aumento no valor, algo que não é comum”, afirmou. Para Cogo, em 2017 haverá equilíbrio de ganhos em toda a cadeia produtiva, o que é benéfico. “O milho está em alta no mercado internacional, cada vez se consome mais milho e menos arroz e trigo. Os produtores podem ter uma certeza: Não haverá novas baixas de preços mesmo com uma grande safra. A produção de milho nos EUA vai cair, o que é benéfico para o Brasil. A expectativa é de que o Brasil deva exportar 27 mi de toneladas de milho este ano”.

O engenheiro agrônomo, William Weber, destaca que entre as vantagens da produção de milho está a proteína animal, onde 70% do milho é convertido para produzir um quilo de carne. “Temos no leite uma grande importância produtiva na cadeia animal. De proteína e de leite. Além de ser utilizado na fabricação de cosméticos e combustíveis. Toda a cadeia do leite tem uma grande importância. Vale muito a pena plantar milho. Compreendemos que, a curto prazo, temos a pressão sobre o preço, que fica inferior ao do ano passado. Mas, ao longo prazo, os preços serão mais rentáveis e, além disso, o milho está já está subindo no mercado externo. O produtor deve tratar o milho como direcionador, não olhando somente o preço, mas a capacidade de produzir mais com rentabilidade maior”, concluiu.

Foto: Ana Cláudia Capellari

Segurança alimentar: o milho cumpre o seu papel

Em 2024 o Brasil será o maior exportador de alimentos do mundo e o milho cumpre importante papel neste contexto global quando se fala em segurança alimentar. Junto com o arroz e o trigo, o milho integra a base da alimentação humana do planeta. E a tendência é de crescimento do consumo e para isso há necessidade de aumento da produção. Para o integrante da FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, engenheiro agrônomo Alan Jorge Bojanic, o grande desafio é aumentar a produção de milho em pelos menos 70% para conquistar mercados africano e asiático. “Precisamos de uma boa taxa de câmbio para promover as exportações. Produzir mais com menos recursos, menos utilização de água, com tratamento do solo. Precisamos, sem dúvida, analisar os processos industriais para formas de consumo humano direto”, explicou Bojanic.

Em 2015 foram produzidas mais de 2,5 bi de toneladas de grãos e mais de 300 mi de toneladas de carnes no mundo. Em 10 anos a produção global aumentou em 500 mi de toneladas

Déficit de armazenagem no Brasil chega a 70 milhões de toneladas em 2017

O déficit de armazenagem no Brasil é a maior preocupação de produtores e cerealistas. Carlos Cogo explica que há necessidade de retomada do plano de construção e ampliação de armazéns, que foi drasticamente reduzido pelos últimos governos. “Tínhamos uma promessa de R$ 5 bi por ano para armazenagem, o que ocorreu durante dois anos, porém na última safra foi reduzido para R$ 1,4 bi, que não é suficiente anualmente para se manter o aumento da capacidade. A safra crescendo e a capacidade reduzida estão provocando uma distância ainda maior entre produção e capacidade a ponto de chegar ao recorde em 2017 de mais de 70 milhões de toneladas de defasagem. Não podemos conviver com isso, com reflexos negativos na cadeia produtiva”, afirmou o consultor.

Ele alerta que com este panorama o produtor se obriga a vender logo depois de colher, contratar fretes em parceria, o que eleva preços, além de congestionar estradas e portos cheios, com pagamento de multas para embarcar, caminhoneiros atolados. “Tudo isso começa com a falta de armazenagem no interior, o que acarreta um efeito cascata”.

Para Carlos o problema é essencialmente político. “O produtor depende de decisão política para investir no setor. Este investimento vai se pagar no momento em que você desafogar estradas, rodovias e portos e o produtor puder planejar a venda, assim teremos retorno imediato. É um plano e não uma doação de governo. É um investimento que será pago pelo próprio produtor”.

Compreendemos ainda a necessidade de tirar o milho do verão e colocar no inverno.

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