O que mais impacta no custo da soja no Brasil/ Por Raquel Breitenbach

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Especificamente na produção de soja no Brasil os principais fatores determinantes de custos são: localização escala produtiva e utilização da capacidade de produção, tecnologia, experiência e aprendizagem, tempestividade, relações na cadeia de valor, estrutura de capitais e fatores institucionais. Tais fatores interferem na estrutura de custos dos produtores e fazem com que estes custos sejam, muitas vezes, diferentes de um agricultor pra outro e de uma região para outra¹.

Objetivamente e quantitativamente, os principais fatores que compõe o custo da soja estão listados na Tabela 1 que segue.

*Considerando esse grupo de custos, o que mais onera é o fertilizante (17,1% do custo total), seguido da semente (13,2% do custo total da lavoura)².

 

Portanto, a maior concentração dos custos da soja está nos “custos variáveis”. Ou seja, o agricultor deve reduzir custos com economias de escala e utilização da capacidade de produção, uma vez que investimentos em máquinas, implementos e instalações são diluídos no custo por hectare. Além disso, deve prestar atenção no processo produtivo, como a semeadura (semente, tratamento químico, inoculação da semente, macro e micronutrientes e a operação agrícola), pois estes fatores são os que mais interferem no custo e na produtividade que, juntamente com o preço da soja na época da comercialização, definirão a lucratividade da atividade.

Figura 1- Produção de soja no Rio Grande do Sul.

Foto: Arquivo pessoal – Raquel Breitenbach.

 

Alguns outros fatores que interferem nos custos da atividade:

  • Regiões do país – O perfil geográfico (clima, a pluviometria e a composição do solo) das regiões produtoras interfere no custo de produção de soja, pois é subsídio para definição de sementes, fertilizantes e defensivos apropriados para cada conjuntura, além das operações mais indicadas ao manejo e ao cultivo da terra3.
  • Oscilações de mercado – O custo é também modificado pelas oscilações de mercado, seja pela relação entre oferta e demanda, pela disponibilidade de insumos ou, ainda, pela relação cambial, já que a maior parte dos insumos utilizados para produção de soja é importada. Neste caso, o momento em que se realiza a aquisição dos insumos deve ser analisado, bem como a possibilidade dos agricultores organizarem-se em associações para aumentarem seu poder de negociação3.
  • Alteração cambial – Se observado ao longo da história, no Brasil existe relação direta entre a evolução dos custos de produção de soja e a alteração cambial. Ou seja, ocorre aumento no custo por saca para a produção da soja ao mesmo passo que o dólar frente ao real passa a ser valorizado. Os principais insumos utilizados (fertilizantes e agrotóxicos) são cotados na moeda estrangeira, o que explica essa relação4.
  • Fatores institucionais – Fatores institucionais também afetam o custo de produção da soja (ex: condições de financiamento e demais subsídios, políticas públicas, pesquisas, políticas agrárias que afetam o custo da terra, políticas ambientais, etc.)3.
  • Safra 2016/2017 – A safra 2016/2017 – comparativamente a safra 2015/2016 – apresenta aumento do custo de 12,5% na soja convencional e de 11,0% na soja Roundup Ready 1 (RR1), de 11,3% na soja Roundup Ready 2 (RR2) e de 9,1% na soja irrigada. Tais acréscimos podem ser esclarecidos pelas variações dos preços de mercado das máquinas agrícolas e dos insumos².

 

REFERÊNCIAS

¹CARNEIRO, D. M.; DUARTE, S. L. COSTA, S. A. da. Determinantes dos custos da produção de soja no Brasil. XXII Congresso Brasileiro de Custos. In: Anais… Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 11 a 13 de novembro de 2015.

²RICHETTI, A. Viabilidade econômica da cultura da soja na safra 2016/2017, em Mato Grosso do Sul. Dourados: Embrapa Agropecuária Oeste, 2016. 5 p. (Embrapa Agropecuária Oeste. Comunicado técnico, 202). Disponível em: <http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/146045/1/COT2016211.pdf>. Acesso em: 29 dez. 2016.

3GUZATTI, N. C.; FRANCO, C. Custo de produção e rentabilidade para cultura da soja nas variedades convencional e transgênica em Mato Grosso. Revista UNEMAT de Contabilidade. Volume 4, Número 8 Ago./Dez. 2015.

4CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Compêndio de Estudos Conab / Companhia Nacional de Abastecimento. – v. 1 (2016). – Brasília: Conab, 2016. Disponível em: http://www.conab.gov.br. Acessado em: 06 jan. 2017

 

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