Desafios da Soja: o aumento do esmagamento argentino e a liquidez da soja brasileira, qual a relação?

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O país superou um volume de 40 milhões de toneladas em 2016, e isso pode gerar uma perda da liquidez do grão brasileiro, se confirmado cenário.

Por Verônica Vargas Muccini – Especial Desafios Da Soja

E as notícias da soja vem do nosso país vizinho, a Argentina. Segundo o jornal “Clarín”, o esmagamento da oleaginosa do país alcançou os 41,7 milhões de toneladas em 2016, representando o maior processamento da história, com um crescimento interanual de 8%, segundo um boletim divulgado pela Bolsa de Cereais de Córdoba.

Ainda segundo a Bolsa, o aumento dos preços dos subprodutos foi uma das causas que motivou essa maior industrialização da soja, após quatro anos de consecutivas quedas. “O óleo de soja apresentou um crescimento anual de 155 dólares por tonelada (acréscimo de 23%), enquanto o valor da casca de soja subiu 26 dólares à tonelada (acréscimo de 9%)”, apontou o boletim emitido.

O valor da produção nacional foi de cerca de US$17 bilhões, 10% a mais do que em 2015. Embora tenha subido em relação ao ano anterior, o valor também é o mais baixo dos últimos seis anos, já que os preços se encontram em níveis inferiores.

Em relação à participação no esmagamento nacional, a Bolsa aponta que a província de Santa Fe é líder indiscutível, com 88% do total. Em seguida vêm as províncias de Buenos Aires e Córdoba, com 6% e 5%, respectivamente. Os 1% restantes são divididos entre outras províncias.

O que isso significa para o Brasil?

O mercado mundial é abastecido por Argentina, Brasil e Estados Unidos. E na Argentina existiu uma mudança de governo, as taxas de exportação diminuíram, e isso estimulou o produtor a aumentar a sua venda, logo o esmagamento da soja.”, explica Claiton Santos, sócio proprietário e consultor da TS Corretora de Grãos, do por que este volume aumentou no último ano de 2016.

E continua, “A China hoje principal comprador da oleaginosa antecipou uma compra de volume dos Estados Unidos, por ter um preço competitivo. Com todo este cenário da Argentina e dos Estados Unidos, a consequência para os produtores brasileiros é que pode haver o risco da diminuição de liquidez da soja no porto, ou seja, preços mais baixos da saca para exportação. Claro que esperamos que este cenário não ocorra”, comenta Claiton Santos.

Claiton ainda pondera que os produtores brasileiros precisam profissionalizar a comercialização para que não tenha problemas. “Tivemos os dois anos anteriores em que o produtor não fez hedge, por exemplo, por medo de perder dinheiro. Hoje se for confirmada um cenário de menor liquidez, aqueles que fizeram hedge e asseguraram o preço mínimo estarão tranquilos. Pois ele sabe o custo da sua produção, fez uma cobertura de preço e sabe quanto que terá na conta. Ele profissionalizou toda a cadeia”, finaliza Santos.

Com informações do site Notícias Agrícolas

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