Desafios da Gestão Rural- Competitividade da soja no Brasil e custo de produção / Raquel Breitenbach

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Competitividade da soja no Brasil e custo de produção

*Por Raquel Breitenbach

A soja se tornou mundialmente conhecida ao passo que a cultura se desenvolveu enquanto atividade agrícola. Parte desta expansão se deve por que a soja é a principal fonte de óleo vegetal comestível; é fonte de nutrientes e tem qualidades funcionais ao ser humano; bem como o farelo é amplamente utilizado na formulação de ração para alimentação animal. Esses fatores têm ampliado a importância da soja e aumentado sua demanda no mercado internacional. Como consequência, se observa a ampliação de áreas de plantio e acréscimo nos índices de produtividade das lavouras já existentes¹.

Se considerado o volume de produção de grãos no Brasil, a soja é a cultura com maior representatividade (48% do total de grãos produzidos) e a produção agrícola com maior crescimento nas últimas três décadas. Diante deste contexto, o Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Já os estados com maior produção são, nesta ordem, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás².

Mesmo considerado o importe desenvolvimento da produção de soja nas últimas décadas no Brasil, esse setor enfrenta barreiras que se relacionam, especialmente, com infraestrutura e logística, reduzindo a competitividade dos agricultores³.

As vantagens competitivas existentes no Brasil se relacionam as características edafoclimáticas e de expansão de fronteiras agrícolas. Por outro lado, existem muitos entraves relacionados ao chamado “Custo Brasil”. Portanto, as principais limitações da produção de soja no Brasil que limitam sua competitividade são:

  • Altos custos de frete da produção (83% e 94% maiores, respectivamente, que aqueles observados nos Estados Unidos e na Argentina);
  • Elevadas despesas portuárias devido à ineficiência dos portos nacionais;
  • Deficiências na infra-estrutura de armazenamento (capacidade instalada total de armazenamento nas propriedades rurais de 9% da produção agrícola, enquanto nos Estados Unidos e no Canadá essa capacidade é de 56% e 83%, respectivamente);
  • Alta carga tributária;

    Produção de soja no Rio Grande do Sul. Foto: Graziela Corazza
  • Altas taxas de juros (duas a três vezes maiores que nos países concorrentes diretos);
  • Elevado nível de endividamento dos produtores rurais; e
  • Deficiências graves de gestão da atividade rural, especialmente envolvendo gestão de custos e comercialização da produção.

 

Destacam-se e discutem-se nesse texto as carências de gestão e gestão de custos em nível de propriedade rural. Considera-se que esta carência é uma das poucas que o agricultor tem condições de agir diretamente, com autonomia, no sentido de aumentar a competitividade de sua propriedade rural.

Ressalta-se, portanto, que realizar o levantamento e a análise de custos de produção da atividade é importante para conhecer, quantificar e avaliar a propriedade de modo geral e a atividade de soja de modo particular. Ou seja, gestão de custos é uma ferramenta de controle e gerenciamento das atividades produtivas, gerando informações para auxiliar na tomada de decisão dos produtores rurais e na formulação de estratégias pelo setor público².

A fim de reunir argumentos, a Figura 2 apresenta os principais benefícios da determinação e análise dos custos de produção de uma atividade agropecuária. A ideia de apresentá-la é fazer com que agricultores, técnicos e demais agentes da cadeia produtiva de soja visualizem as possibilidades que as ações em nível gerencial podem trazer para uma unidade de produção agropecuária, desmistificando a preocupação centrada unicamente nos aspectos técnicos e produtivos.

Potencialidades e vantagens obtidas a partir da definição e análise dos custos de produção de uma determinada atividade.

 

Destarte, o que se buscou defender ao longo deste texto é que o produtor, mais que dominar a tecnologia e as técnicas de cultivo, necessita voltar seu olhar para a gestão (e gestão de custos) de sua unidade de produção agropecuária. Fator este que pode ser o diferencial competitivo de sua propriedade.

 

REFERÊNCIAS

¹MENEGATTI, A. L. A.; BARROS, A. L. M de. Análise comparativa dos custos de produção entre soja transgênica e convencional: um estudo de caso para o Estado do Mato Grosso do Sul. RER, Rio de Janeiro, vol. 45, nº 01, p. 163-183, jan/mar 2007 – Impressa em março 2007.

²CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Compêndio de Estudos Conab / Companhia Nacional de Abastecimento. – v. 1 (2016). – Brasília: Conab, 2016. Disponível em: http://www.conab.gov.br. Acessado em: 06 jan. 2017.

³CARNEIRO, D. M.; DUARTE, S. L. COSTA, S. A. da. Determinantes dos custos da produção de soja no Brasil. XXII Congresso Brasileiro de Custos. In: Anais… Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 11 a 13 de novembro de 2015.

4LAZZAROTTO, J. J. Evolução e perspectiva de desempenho econômico associados com a produção de soja nos contextos mundial e brasileiro [recurso eletrônico].  Londrina: Embrapa Soja, 2009. –  Documentos / Embrapa Soja, ISSN 2176-2937; n. 319)

5GUZATTI, N. C.; FRANCO, C. Custo de produção e rentabilidade para cultura da soja nas variedades convencional e transgênica em Mato Grosso. Revista UNEMAT de Contabilidade. Volume 4, Número 8 Ago./Dez. 2015.

6MEGLIORINI, Evandir. Custos: análise e gestão. 2 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

 

*Doutora em Extensão Rural, professora e pesquisadora na área de gestão e desenvolvimento rural no IFRS-Campus Sertão.

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