De Olho no Mercado / Frederico Schmidt

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CHINA SEGUE DANDO AS CARTAS E SUSTENTANDO OS PREÇOS

*Frederico Schmidt

Normalmente o feriado do ano-novo chinês costuma marcar a mudança nas compras chinesas de soja dos Estados Unidos para a América do Sul. Coincidentemente é essa época do ano que os trabalhos de colheita no Brasil entram a todo vapor.

Apesar do ritmo da colheita estar mais forte inclusive que na mesma época do ano passado, o que estamos vendo é um ritmo de comercialização mais lento. Isso se deve principalmente pelos preços atuais, de boca de safra, mais baixos que preços observados no final do ano passado, início de dezembro e também no comecinho de 2017. Além disso, a memória do produtor em relação à safra passada tem feito segurar além do normal alguns estoques, já que na safra passada os preços dispararam após a temporada de colheita, por problemas na safra argentina.

A safra argentina não tem tido muita tranquilidade na temporada atual e o mercado está todo de olho nisso, sejam brasileiros, sejam chineses, sejam norte-americanos. Outra prova de que a Argentina pode complicar as coisas caso o clima não colabore é que a China não tem dado sinais de arrefecimento nos embarques de soja em portos dos EUA. Os dados de embarques semanais de hoje (06/02) superaram com folga as estimativas do mercado, mostrando que mesmo durante e após o feriado chinês não ouve redução nos embarques.

Naturalmente será importante acompanhar esse fluxo ao longo de todo o mês de fevereiro, já que normalmente essa mudança de EUA para América do Sul geralmente acontece ao longo de fevereiro e isso normalmente joga os preços para baixo, pois força vendedores norte-americanos a reduzirem os preços ou subirem seus prêmios para abrir portas no mercado internacional.

Falando mais de Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires em relatório do dia 02 de fevereiro, o plantio de soja foi concluído e apresentou uma área 4,5% inferior à área da safra passada. Desse total, estima-se que 84% estão em condições favoráveis de cultivo, apesar de áreas atingidas com secas, outras com excesso de chuvas e até alagamentos. Nos últimos dias em geral o clima favoreceu a recuperação das áreas afetadas, tanto por seca, quanto por excesso de chuva. Esse clima justifica as baixas vistas nos preços da soja na semana passada.

Mais uma vez o alerta fica nessa questão climática. Os fatores já conhecidos e previsíveis apontam mais para a queda nos preços do que para a alta. Clima na Argentina por hora amenizou e as probabilidades de perdas ainda não são muito grandes ou desconhecidas, safra brasileira caminhando para uma colheita recorde, nível de comercialização baixo, podendo ocasionar momentos de excesso de oferta no mercado interno onde os preços poderiam recuar e previsões de área de plantio de soja nos EUA recordes.

Para os preços subirem seria necessário ocorrerem problemas climáticos, seja na reta final da safra brasileira, seja na Argentina ou então a China realmente tirar o pé do acelerador nas importações, que a meu ver tem sido um dos principais motivos de preços bons ao longo dessa safra atual. Além disso, se nas próximas semanas tivermos novas revisões ou projeções na área de plantio dos EUA, esses dados podem sacudir os preços.

 

*Frederico Schmidt  é Agente Autônomo de Investimentos pela Priore Investimentos e atua principalmente nos mercados de commodites agrícolas e câmbio. Nascido e criado no interior do Paraná está operando no mercado futuro de commodities desde 2007 através de instituições nacionais e internacionais  (frederico@prioreinvestimentos.com.br)

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