Delações, Trump e supersafra: o cenário para o agronegócio

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O atual momento de cotações no Brasil e no exterior está conturbado. Na segunda-feira (30), a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmem Lúcia, homologou as 77 delações de executivos e ex-executivos da construtora Odebrecht. Não obstante, na semana anterior, o recém empossado presidente dos Estados Unidos, Donad Trump, deu início à uma série de medidas protecionistas ao mercado americano, banindo a imigração de estrangeiros.

O mercado brasileiro reagiu com temor de piora nas condições de governabilidade por causa das consequências da homologação das delações. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 2,62% nesta segunda-feira. O dólar comercial caiu 0,76% ante o real, a R$ 3,129, menor índice desde outubro de 2016.

Stephen Hilger/Bloomberg News. Foto: STEPHEN HILGER

Agronegócio

O nosso mercado de commodities é direcionado à exportação. O que determina a cotação é o consumo mundial do grão, ou seja, a demanda. Atualmente, o balanço entre oferta e demanda tem se mantido estável, que representa um cenário de confiança para o produtor. “No caso de uma safra estável, ou até de uma supersafra como esperado, o que pode ocorrer é um aumento na oferta do grão o que empurra os preços para baixo. Os Estados Unidos já tiveram a sua supersafra recorde colhendo 117 milhões de toneladas de soja esse ano o que pode impulsionar para baixo os preços do grão produzido na América Latina”. É o que analisa o corretor da TS Consultoria, Claiton Santos.  “A cotação do dólar é o fator que influencia e dita o preço do soja internacionalmente. A especulação em torno da cotação do valor do dólar é exposta a diversos fatores, e o produtor deve estar atento à oscilação. Quanto mais baixo o dólar, pior. Porque é o produtor que paga a conta em reais”, explica.

Crise política

Lá fora, os investidores veem o Brasil com desconfiança. A entrada de dólar é menor e retirada de dólares é maior, devido à especulação. Por outro lado, com as recentes prisões e homologações de delações, a credibilidade pode voltar e voltam também os investidores. “O produtor hoje deve se preocupar com duas coisas. Com a sua produção, sua safra e também com a cotação do dólar. Vivemos atualmente, o risco de o maior comprador e ditador de valores mundial do soja, que é a China, antecipar a sua compra de grãos com a safra recorde dos Estados Unidos, pressionando os preços na América do Sul” finaliza Claiton, apontando as principais tendências a serem observadas no agronegócio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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