Não há receita de bolo para vender soja, por isso é necessário entender o mercado

Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Destaque Rural | Portal do Agronegócio | Revista, Agricultura, Pecuária, Mercado

O preço da soja no Brasil hoje é pautado pelo dólar. Entender o mercado internacional na hora de comercializar o grão pode ser um fator chave para uma boa rentabilidade

Para produzir soja no Rio Grande do Sul há muitos desafios. Desde a escolha da cultivar até a hora de acertar a venda da saca de soja  o produtor rural precisa estar atento.  Estar atento ao mercado é tão importante quanto estar atento à qualidade da semente.Entretanto o agricultor ainda não reconhece a importância de estar atento ao mercado para comercializar.

É o que João Gusman, gestor de risco da TS Corretora de Grãos, define como falta de profissionalização e conhecimento. “O grande problema que tem para os nossos produtores aqui é a falta de profissionalização”. Gusman acredita que um dos fatores desse problema é à margem de lucro que o produtor gaúcho mantem. “Nós aqui [no RS] temos uma boa margem de lucro em relação ao resto do Brasil, pois basicamente estamos próximos ao porto, temos insumos mais baratos e temos um preço de venda melhor que os outros e o frete é o fator que menos impacta no preço de venda”, finaliza o gestor.

Para Claiton Santos, que trabalha com commodities agrícolas também na TS Corretora, o produtor rural, somado aos fatores que João Gusman citou, se torna acomodado. “Qualquer crise econômica que aconteça no mercado o governo federal libera crédito fácil nos bancos para os produtores”.    Para Santos, o produtor com esses recursos disponíveis para adquirir acaba por não pensar no custo da lavoura. “Na pior das hipóteses o banco pode adiantar dinheiro e ele [produtor rural] cria uma bola de neve com as dívidas”.

VER MAIS: Em anúncio recente o Presidente Michel Temer (PMDB) liberou R$ 12 bilhões para o custeio da pré-safra 2016/17

VER MAIS: Caixa Econômica liberou R$ 6 bilhões para custeio  antecipado da safra.

Gusman salienta que a falta de profissionalização gera o pensamento que cria as ‘bolas de neve’.  “Quanto menor a margem de lucro mais profissionalizado o produtor tem de ser”.  O gestor compara o RS a estados como o Mato Grosso, que hoje estão na frente dos gaúchos no quesito venda do grão.  “Hoje como as margens de lucro estão boas e cobrem os custos fixos e variáveis”. João afirma que, mesmo assim a produção gera lucro independente do preço estar bom ou não.  Esta zona de conforto é consolidada pelo preço da soja, que há aproximadamente dois anos está sustentada no dólar.  “O preço da soja no Brasil está bom em função do dólar e do prêmio do porto positivo.” O prêmio do porto é uma remuneração extra para a entrega da soja para exportação.

O pagamento de prêmios é negociado entre tradings e os compradores internacionais. A base de cálculo é uma porcentagem da cotação de Chigaco descontando os custos de logística da soja até o porto.   O prêmio aconteceu, pois os Estados Unidos não vendiam barato o grão. “O que mantém o preço da soja no mundo inteiro, é Chigaco”, acrescenta o gestor.

O mercado de commodities é dinâmico e pautado pela Lei de Oferta e Procura.  Não há o “melhor” jeito para vender o grão de soja, visto que a comercialização e os melhores preços dependem do contexto econômico de cada safra.

Além da falta de profissionalização para calcular o preço de venda, há o desconhecimento por parte dos produtores rurais da origem de onde são formados os preços.  Os preços são formados em Chicago, nos Estados Unidos, consequentemente, em dólar.  “O mercado é quem coloca o preço e a origem do mercado é Chicago, na CBOT”, finaliza João Gusman.

Para o produtor ter segurança na sua venda é necessário profissionalizar a comercialização. As propriedades estão concentradas em produtividade e esquecem como irão comercializar. Não é preciso deixar de lado a produtividade. “A produtividade não depende só do produtor, por mais que se tenha alta tecnologia, o clima não é um fator que está na mão do produtor”, afirma Claiton.

Para  identificar o preço venda é preciso olhar a propriedade como um todo. Os custos com insumos para a lavoura, mão de obra, o custo com financiamentos (endividamentos).  Se esses valores forem colocados no papel é possível encontrar o valor para a venda.  Atualmente o produtor calcula de forma diferente. Para a negociação o produtor calcula quantos sacos de soja deve produzir. “Isso é muito relativo. Se eu vender a saca de soja a R$ 90 vou precisar de x sacos… Se eu vender a R$ 50, outros tantos sacos de soja. O inconsciente do produtor está direcionando ele a transformar em saca de soja”, acrescenta Claiton.  De acordo com ele não há um embasamento para esse cálculo.

 

Não existe uma receita de bolo para vender a soja. É necessário profissionalizar a comercialização e entender as nuances do mercado. Acompanhar preços, cotações internacionais e saber a hora certa de vender.

 

rodape-postagens-ds2

Deixe uma resposta