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Desafios da Soja – Ferrugem asiática

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A ferrugem asiática da soja é uma doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizie. É uma das principais doenças que acomete a cultura da soja atualmente pelo grande potencial de perdas da lavoura dos produtores.  Como o próprio nome diz, a ferrugem é originária da Ásia. A doença também ocorre na Austrália.

O primeiro relato da doença foi registrado em 1903, no Japão. Mais tarde foi registrada em localidades da Austrália. Na Índia, a ferrugem chegou em 1951. A doença se espalhou para outros países e na América do Sul chegou em 2002, quando infectou campos do Paraguai.

No Brasil, a doença foi encontrada no final da safra de 2000/2001, no estado do Paraná. A incidência da doença aumenta a casa safra de soja que passa e dissemina-se rapidamente para outros estados do Brasil. Na safra 2002, a doença foi relatada em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Na safra de 2003/2004  ocorreu de forma generalizada no país. O que ocasionou grandes perdas de produtividade naquela safra.

Neste ano o clima favorece a incidência da doença nas lavouras de soja. As chuvas na primeira quinzena de janeiro fizeram com que os casos se multiplicassem rapidamente.  Pensando nisso,  a Destaque Rural procurou saber mais sobre o assunto. Conversamos com Caroline Wesp Guterres. Caroline é formada em Biologia pela Universidade de Passo Fundo, tem mestrado e doutorado em Fitopatologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é pesquisadora na área de Manejo de Doenças na Cooperativa Central Gaúcha CCGL Tecnologia, em Cruz Alta.   Confira a entrevista ↓

 

Destaque Rural: Após a ferrugem asiática se instalar na lavoura de soja, o que fazer?

Caroline Wesp Guterres:  O ideal é que o controle de ferrugem seja feito de forma preventiva. Isso ocorre em função de que os sintomas iniciais da doença não são tão fáceis de serem identificados, porém, evoluem muito rápido, fazendo com que a doença seja bastante agressiva.  Após a instalação da doença o controle por parte dos fungicidas acaba sendo prejudicado, já que não há pr

Fotos: Reprodução/Internet
Fotos: Reprodução/Internet

oduto com real efeito erradicante. Depois que a doença já está instalada, é importante a utilização de fungicidas que possuam o grupo dos triazóis nas misturas, justamente em função de seu efeito curativo. No entanto, vale lembrar que se o controle iniciar após a ocorrência de ferrugem, vamos trabalhar somente sobre um dos componentes da epidemia, a taxa de progresso da doença. 

 

 

DR: Qual é, na tua opinião, o melhor manejo que os produtores podem fazer?

Caroline Wesp Guterres: Para definir a estratégia de manejo de doenças o produtor deve levar em consideração diversos fatores, tais como: suscetibilidade da cultivar escolhida em relação à ocorrência de doenças, hábito de crescimento e índice de área foliar; se é realizada a rotação de culturas na propriedade (pensando principalmente nas doenças de raiz e manchas foliares), época de semeadura (plantios do tarde acabam sofrendo uma pressão maior de inóculo de ferrugem), condições climáticas no inverno anterior (já que invernos amenos permitem a sobrevivência de soja guaxa e consequentemente, a sobrevivência de ferrugem, como observamos na safra 2015/16), condições climáticas na safra de soja e entre outros.   O controle químico deve ser uma ferramenta inserida dentro do programa de manejo e boas práticas agrícolas e não, a única medida de controle. O controle químico efetivo passa ainda pela escolha de bons fungicidas, combinando diferentes grupos químicos, tanto para aumentar espectro de controle, mas também, para evitar risco de resistência aos fungicidas.  

DR:  Na tua opinião, qual é a causa principal da ferrugem asiática?

Caroline Wesp Guterres:  A ferrugem é uma doença que veio para ficar. O cultivo da soja é realizado no Brasil e em outros países da América Latina, o que permite que tenhamos uma espécie de “ponte verde” interligando todas as regiões e propiciando a disseminação de esporos. Somente no Brasil são cerca de 33 milhões de hectares cultivados com soja.  O vento é a principal forma de disseminação da ferrugem, podendo levar inóculo para lavouras próximas ou para longas distâncias. O fungo causador da ferrugem, Phakopsora pachyrhizi, sobrevive e se multiplica somente em plantas vivas. Por isso, a ocorrência de invernos amenos e chuvosos pode antecipar a ocorrência da doença nas lavouras de soja, em função da manutenção do inóculo mesmo nos meses mais frios.   

 

DR: Em produtividade e rentabilidade, é possível estimar quanto o produtor perde quando a doença se instala na lavoura?

Caroline Wesp Guterres:  As doenças foliares atuam reduzindo a área fotossintética ativa, com isso, há menor produção de fotoassimilidados e consequentemente, efeitos deletérios para a produtividade. Para ferrugem, o potencial de perda na produtividade é de até 100%, se não realizada a aplicação de fungicidas. Nos ensaios que conduzimos aqui na CCGL Tecnologia na safra passada, em semeaduras que foram de outubro de 2015 a janeiro de 2016, obtivemos uma redução na produtividade que variou de 16 sacas até 46 sacas/ha, entre parcelas não tratadas com fungicida e parcelas com manejo adequado. Se considerarmos o valor da saca de soja de 60 kg de R$ 70,00, esses resultados corresponderiam a perdas de R$ 1.120,00 a R$ 3.320/ha, dependendo da época de semeadura e do manejo realizado (de quais produtos foram utilizados e se de forma preventiva ou curativa). 

 

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