De Olho no Mercado / Frederico Schmidt

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PREÇOS DA SOJA QUEREM CAIR… SÓ QUE NÃO!

O ano já começou agitado. Na virada de 2016 para 2017 o mercado já vinha trabalhando com uma forte pressão de baixa nos preços, principalmente por conta de expectativas de safra recorde no Brasil e de amenização dos problemas climáticos na Argentina. Junte-se a isso ainda as especulações preliminares de área de plantio nos Estados Unidos para 2017, que de acordo com os primeiros que se arriscaram nos números, seria recorde novamente.

A junção desses fatores vinha colocando desde o início de dezembro uma pressão de baixa, com a maior parte dos participantes do mercado acreditando mais fortemente nessas possibilidades. Alguns breves intervalores de altas fortes houveram no decorrer de dezembro ou por conta de notícias climáticas ruins para as lavouras da Argentina, ou por conta da forte demanda da China.

Entramos o ano de 2017 já com informações de que a China pode reduzir seu apetite de compra ao longo desse mês, algo que já temos percebido, por conta da redução nas margens de esmagamento de soja lá no mercado interno chinês. Além disso, teremos no final do mês agora o feriado de ano novo chinês, que iniciará em 28 de janeiro e terminará somente 15 de fevereiro. Nesse período as compras chinesas deverão ser quase inexistentes, somente compromissos já firmados devem ser embarcados.

O ponto que quero chamar a atenção aqui é que encerrando o ano novo chinês, já teremos a safra brasileira invadindo o mercado, pois fevereiro é o ponto alto da colheita em Mato Grosso, o que deverá fazer a China migrar suas compras para a América do Sul, de olho na safra brasileira.

Se analisarmos até aqui, só vemos fatores que nos fazem pensar em queda nos preços, o que não deixa de ser verdade. A pressão pelo movimento de baixa é forte, já que temos diversos fatores mostrando isso.

Porém alguns poucos fatores, mas que incomodam e tiram o sono do mercado estão fazendo os preços reagirem na direção contrária nos últimos dias. O clima na Argentina segue incomodando muito. Nesse final de semana tivemos novas chuvas em áreas que já vinham sofrendo com excesso de água. Algumas áreas ao sul da província de Santa Fé na Argentina por exemplo, já estavam com excesso de umidade nas lavouras e durante esse final de semana receberam até 150 milímetros de chuva. Segundo autoridades da cidade, 50% das lavouras de Santa Fé estão em alerta vermelho por excesso de chuva e inundações.

Outro fato muito relevante ao longo da semana passada foi o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, que divulgou números menores que o esperado pelo mercado para a produção final dos EUA e também para os estoques finais.

Essas informações tem feito a soja se manter acima dos US$ 10,00 por bushels, com o contrato para Maio sendo negociado hoje na casa de US$ 10,50, tendo atingido US$ 10,61 nesta segunda-feira. Vale lembrar que na virada de ano, o mesmo vencimento estava beliscando os US$ 10,00 por bushels com grandes chances de seguir cedendo e por hora os preços vem reagindo bem.

Como existem essas expectativas baixistas para o final do mês, como a questão da China saindo do mercado durante o feriado chinês e safra brasileira entrando no mercado, quem está com necessidade de caixa pode ser novamente um bom momento para se pensar em vendas, pois estamos praticamente nos mesmos níveis de preços que no início de dezembro na cotação em dólar. Só não estamos com os preços em reais próximos pois o dólar andou enfraquecendo ao longo de dezembro e só nos últimos três pregões é que apresentou alguma reação.

O dólar por sinal segue com viés de baixa, porém surpresas no caminho podem fazer o contrário. A maior surpresa esperada para os próximos dias se chama Donald Trump e suas primeiras medidas como presidente e tom do discurso que adotar poderão dar os sinais que o mercado precisa para direcionar o câmbio, tanto para cima, quanto para baixo. Realmente esse cidadão é uma caixinha de surpresas. Outra possibilidade, mas no curto prazo um pouco remota, é com a volta da Lava-Jato à ativa, termos denúncias que coloquem em risco a credibilidade do governo Temer e dificultem a governabilidade, podendo fazer o dólar se apreciar também.

Por fim, resumindo, o que se sabe é que forças que apontam para queda nos preços estão aí e muitos especuladores inclusive tendem a apostar nisso nesse momento, somente as incertezas e surpresas podem fazer com que os preços continuem firmes e talvez subam ainda mais. Logo, quem tem compromissos para honrar, é bom não ficar muito descoberto no mercado com tamanha pressão para queda nos preços. Vale a pena pensar em garantir um resultado agora e deixar volumes menores para testar os riscos climáticos e políticos que temos pela frente, em busca de preços melhores.

Boa semana e bons negócios!

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