RETROSPECTIVA: Trigo tem melhor produtividade e menor preço no Brasil em 2016

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Após duas safras sofridas por causa das intempéries climáticas, os produtores brasileiros de trigo tiveram uma melhora nos rendimentos em 2016. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, as perdas provocaram um ajuste no quadro de oferta nacional. Além disso, quebras nos produtores do Mercosul e a elevação cambial dos últimos 12 meses proporcionaram um cenário favorável à elevação dos preços no mercado interno, considerando a oferta reduzida.

Pinheiro explica que na safra passada, houve redução de 12% na área plantada no Brasil e de 14% na produção nacional. “A área menor foi justificada por uma desmotivação por parte dos produtores em investir na cultura, tendo em vista os altos riscos, bem como a falta de retorno das últimas temporadas”

Em 2016, a área plantada com trigo no Brasil voltou a ser menor, em 14%, na comparação com a safra anterior, mas a produção, por outro lado, cresceu, graças a melhora na produtividade. Conforme Pinheiro, os poucos danos ocorridos foram pontuais e não trouxeram maiores prejuízos ao quadro de oferta nacional.

“Em resumo, o país vinha de uma conjuntura que propiciou as fortes elevações de preços no âmbito doméstico, porém, no cenário internacional, havia elevada oferta de trigo, resultado dos maiores estoques mundiais da história que continuam crescendo e pressionando as bolsas internacionais”, disse Pinheiro.

“Nesta temporada, os preços voltaram a apresentar um forte viés baixista tendo em vista um recuo do câmbio, que possibilitou a importação do cereal dos países vizinhos do Mercosul, e também dos Estados Unidos, tendo em vista que os preços destes países voltaram a ficar atrativos à indústria brasileira, pelas paridades de importação, pressionando os preços internos. A confirmação de safra cheia no Brasil deixa o lado comprador mais relutante em pagar preços mais elevados”, explicou.

A queda dos preços do trigo no mercado brasileiro nesta temporada se alinhou ao cenário internacional, e chegou a ultrapassar os mínimos estipulados por lei, demandando recursos federais para voltar a cumprir estes preços. Foram realizados leilões de subvenção que visam o escoamento de parte da produção, reduzindo o volume de oferta e também a pressão nos preços.

O analista destaca a importância do câmbio, “já que uma redução ou manutenção cambial nos atuais patamares poderão minimizar a efetividade dos leilões de subvenção, já que ainda será atrativo importar o trigo. Isso mantém uma forte pressão nas cotações internas. Por outro lado, em caso de elevação cambial, os preços internacionais ficarão menos atrativos, favorecendo o trigo nacional e possibilitando reajustes positivos”.

Neste ano a indústria brasileira buscou se abastecer por meio de importações, ao invés do trigo nacional, pressionando inda mais as cotações internas. Este movimento resultou nas maiores importações da história no primeiro trimestre da temporada, superando os dois milhões de toneladas, impulsionados pelo mês de setembro, que sozinho representou a importação de um volume de mais de 880 mil toneladas, o maior volume para um único mês na história.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, com uma amostra de 255 municípios que cultivam trigo no estado, a Emater/RS, indica que o estado deverá alcançar 3,132 toneladas por hectare de produtividade média nas lavouras gaúchas, em uma área de 766,864 mil hectares, alcançando uma produção de 2,402 milhões de toneladas do produto. Comparado com a safra passada, esses números representam uma elevação de 96,7% na produtividade e de 72,6% na produção, quando o Estado alcançou 1.592 kg/ha de produtividade e 1.391.829 toneladas de produção, mesmo com uma redução de área de -13,1%.

Já em relação à média das últimas cinco safras de trigo, esta deverá ter uma produção 8,9% maior e a produtividade, um acréscimo de 41,6%, a segunda maior alcançada no estado com a cultura, ficando atrás apenas do ano de 2013, quando o estado alcançou 3.164 kg/ha, segundo dados do IBGE.

No próximo ano

Para 2017, o analista Jonathan Pinheiro projeta que o mercado deva começar o ano com forte viés baixista, tanto para o cenário nacional, quanto para o internacional, potencializado pela expectativa de excedentes no Mercosul, que tem como principal demandante o Brasil. “É importante analisar que possíveis alterações dentro da demanda nacional, bem como na taxa cambial, podem trazer mudanças mais representativas ao quadro de oferta e demanda, possibilitando uma mudança no viés para altista”.

Pinheiro acredita que o milho, como já ocorreu na temporada anterior, pode voltar a ser peça chave no cenário do trigo, já que possíveis elevações mais significativas podem fazer o trigo voltar a ser uma alternativa atrativa as indústrias de ração, reduzindo expressivamente os estoques nacionais, possibilitando elevações de preços.

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