RETROSPECTIVA: Mercado de milho teve ano de cotações recordes no Brasil

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O mercado de milho teve um ano de 2016 de cotações recordes. Foi um período de dificuldades para o abastecimento dos compradores, com baixos estoques. Com a oferta limitada no mercado interno, o país teve o maior volume de importações em 20 anos.

Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Paulo Molinari, o excesso de exportações do Brasil em 2015 e o corte da área da safra de verão levou à escassez de oferta. Assim, houve um ajuste no abastecimento no primeiro semestre e as cotações atingiram patamares recordes, chegando a R$ 60,00 a saca em média no Sul do Brasil.

O aperto no abastecimento só foi resolvido com a chegada da safrinha no segundo semestre. Assim, as cotações do milho no Brasil atingiram patamares muito elevados na primeira metade do ano e encontraram maior equilíbrio no segundo, quando os preços então cederam bastante em relação ao pico alcançado nos primeiros seis meses de 2016.

“Foi um ótimo ano para os produtores, tirando os estados onde houve quebra na produção”, comentou Molinari.

Para 2017, o analista prevê um cenário completamente diferente. Os estoques devem estar em níveis mais altos, passando de 5 milhões de toneladas, a área de verão pode ter crescido até 20% com os preços aquecidos estimulando o produtor e o clima está favorecendo, avalia Molinari. E com as cotações do milho na Bolsa de Chicago relativamente baixas e com o dólar também mais fraco, as exportações estão dificultadas no país. Essa combinação amplia a oferta no mercado interno, o que é um fator de pressão aos preços.

Assim, Molinari prevê um primeiro semestre ainda de equilíbrio entre oferta e demanda, o que limitaria quedas nas cotações do milho. Entretanto, com uma safrinha recorde que se espera para 2017, “poderemos voltar a ter de exportar 30 milhões de toneladas ao ano”, observou. Sem essas exportações, haverá muita oferta disponível e a tendência é de preços mais baixos. “Para reverter essa tendência, o mercado precisa de um fato novo, como câmbio ou a Bolsa de Chicago”, indicou.

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