(54) 3632 5485 contato@destaquerural.com.br

De Olho no Mercado / Frederico Schmidt

Destaque Rural | Portal do Agronegócio | Revista, Agricultura, Pecuária, Mercado

Mercado de soja firme. Até quando?

Frederico Schmidt

Duas semanas atrás comentamos aqui o quanto os preços da soja estavam ficando atrativos para vendas, após os recentes movimentos de alta. De lá para cá o movimento de alta perdeu fôlego e apresentou leve movimentação de baixa, saindo da casa de US$ 10,40 por bushels para a casa de US$ 10,20 por bushels no vencimento de janeiro/17. Já no contrato com vencimento em maio/17 os preços saíram da casa de US$ 10,65 para a casa de US$ 10,40 por bushels. A queda foi grande? Não, não foi grande e possivelmente foi um movimento natural de correção dos preços no mercado.

Nesse intervalo o movimento do dólar não foi muito diferente, ou seja, também trabalhou com algumas oscilações, mas olhando o preço hoje, R$ 3,37, está abaixo do fechamento do dia 05/12, em R$ 3,42. Logo isso tudo nos leva a visualizar o preço da soja no mercado interno com valores inferiores aos de duas semanas atrás.

Porém o que quero chamar a atenção aqui não é somente essa movimentação nos preços, mas também a pressão que é possível notar nos preços futuros do mercado físico. Se no preço à vista no mercado interno a queda foi pequena, com algumas praças oscilando mal e mal somente R$ 1,00 por saco, os preços futuros, com entrega para Março, Abril e Maio, tiveram uma oscilação bem maior, recuando em algumas praças até R$ 5,00 por saco.

Essa análise é importante para que percebamos o quanto o mercado está firme balizado na ponta compradora, basicamente a China. Como a China está comprando bastante, qualquer sinal de piora na oferta, na safra atual se traduzirá em preços mais fortes naturalmente, e vimos isso ocorrer nas últimas semanas, quando muito se especulou sobre o clima na Argentina.

Agora o mercado já está aguardando novas chuvas para a Argentina nesta e na próxima semana, para as áreas afetadas pela seca e isso trouxe essa acomodação nos preços.

Notem portanto que essa queda mais agressiva nos preços futuros na realidade aponta a correção que o mercado julga adequada, ou seja, durante o movimento de alta nas semanas anteriores o preço subiu além do movimento normal.

Isso mostra o quanto a preocupação com a safra que está sendo cultivada agora na América do Sul é grande. Se no decorrer das próximas semanas e/ou meses tivermos novos movimentos de alta, muita atenção nos preços futuros, pois estes estão mais voláteis que os preços à vista e isso abre grandes janelas de oportunidades de bons negócios, já que é possível barganhar por um valor de risco embutido no preço futuro.

Já por outro lado se as lavouras na Argentina tomarem o tão esperado refresco e por aqui seguir tudo bem, possivelmente teremos mais acomodação nos preços e esses valores acima de R$ 80,00 por saco que vimos em algumas praças nas últimas semanas podem acabar virando somente história do passado.

Portanto olho atento no clima, tanto aqui quanto na Argentina, e olho atento nas oscilações de preços. Qualquer movimento de alta precisa ser aproveitado, fazendo com que a rentabilidade da produção fique em níveis bem satisfatórios. Sonhar com os preços da safra passada não faz mal, mas sonhar acordado isso sim faz mal. É preciso ter os pés no chão na hora de negociar a safra atual.

Boa semana e bons negócios à todos!

Deixe uma resposta