Oferta e demanda de trigo segue retraída no Brasil após leilões

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O mercado brasileiro de trigo mantém o cenário de baixa liquidez, tendo os agentes de oferta e demanda retraídos, aguardando por melhores momentos para negociar. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, o momento de final do ano, no qual muitos moinhos entram em férias coletivas, colabora para esta falta de negócios.

“Vale destacar, no entanto, que os leilões de PEPRO com recursos disponibilizados para o Rio Grande do Sul já apresentaram, mesmo que de forma pouco expressiva, certa reação no âmbito doméstico regional. Os recursos disponibilizados para outros estados, ou via PEP, tem sido pouco ou não tendo demanda, assim, também não apresentando nenhuma mudança no cenário dos respectivos estados. Dentro deste cenário atual, a expectativa é de recuperação de preços ao longo dos próximos leilões, devido ao maior volume de produção escoada do estado”, analisa Pinheiro.

Apesar disso, conforme o analista, o cenário mundial indica forte pressão de oferta, potencializada pelo câmbio que atualmente favorece as importações de trigo argentino e paraguaio, justificado pelos números da balança comercial que mostram um volume importado de mais de 700 mil toneladas no decorrer do mês de novembro.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizou nesta sexta-feira um leilão de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural – Pepro – para 307,5 mil toneladas de trigo – aviso 229. A distribuição dos lotes era a seguinte: 50 mil toneladas para o Paraná, 250 mil para o Rio Grande do Sul e 7,5 mil toneladas para Santa Catarina. Foi adquirida 62,54% da oferta ou 192,312 mil toneladas, sendo 77,689 mil toneladas no Rio Grande do Sul, 32,312 mil toneladas no Paraná e 5,188 mil toneladas em Santa Catarina.

A Conab realizou também um leilão de Prêmio para Escoamento de Produto – PEP – para 107,5 mil toneladas de trigo – aviso 230. A distribuição dos lotes era a seguinte: 50 mil toneladas para o Rio Grande do Sul, 50 mil para o Paraná e 7,5 mil toneladas para Santa Catarina. Foi adquirido 9,3% da oferta ou 10 mil toneladas. O valor total da operação chegou a R$ 1.920.000,00. As médias simples e ponderada ficaram em R$ 0,1920 por quilo.

USDA

Na última semana, no dia 9, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou seu relatório mensal para oferta e demanda pelo trigo dos Estados Unidos e do mundo. Conforme o USDA, a safra 2016/17 do cereal norte-americano é estimada em 2,31 bilhões de bushels, mesmo volume estimado no mês anterior, contra 2,062 bilhões de bushels em 2015/16. Os estoques finais do país em 2016/17 foram projetados em 1,143 bilhão de bushels, mantendo a estimativa de novembro. O número para 2015/16 fica em 976 milhões de bushels.

A safra mundial 2016/17 está estimada em 751,26 milhões de toneladas, acima das 744,72 milhões de toneladas estimadas em outubro. A safra 2015/16 é indicada em 735,49 milhões de toneladas. Os estoques finais mundiais de trigo em 2016/17 estão estimados em 252,14 milhões de toneladas, acima das 249,23 milhões de toneladas em novembro. As reservas globais ao final de 2015/16 são indicadas em 240,65 milhões de toneladas.

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