Desafios da Gestão Rural / Raquel Breitenbach

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Agronegócio e diversificação: contexto da ação gerencial

Raquel Breitenbach*

Continuando na tentativa de apresentar um pouco dos desafios que o agricultor enfrenta ao gerenciar sua Unidade de Produção Agropecuária (UPA), nesse texto o foco é para a diversificação da matriz produtiva e a inserção das propriedades rurais no Agronegócio. Esses fatores, ao mesmo tempo em que corroboram para dificultar o gerenciamento, são imprescindíveis para a geração de novas oportunidades ao agricultor e sua UPA.

Comumente se observa que as propriedades rurais (especialmente as familiares) desenvolvem mais de uma atividade produtiva, considerando as destinadas para comercialização e subsistência, bem como produção animal e vegetal. Essa característica é considerada importante ao passo que a UPA que diversifica passa a ter mais de uma fonte de renda, menor impacto do clima e das oscilações de preço (insumos e produto final). Isso porque, de modo geral, são atividades que são desenvolvidas em períodos distintos, com safras em ocasiões diferentes, não estando expostas exatamente às mesmas ameaças climáticas e às mesmas regras de mercado.

Todavia, ao mesmo passo que tal estratégia permite colocar em prática o velho ditado de “não colocar todos os ovos na mesma cesta”, também impõe maior complexidade ao agricultor gestor. Este, além de administrar mais de uma atividade, também precisa gerenciar a inter-relação entre estas atividades.  Por exemplo: milho que é cultivado para confecção de silagem destinada para alimentação animal, pastagem para alimentação animal, uva para produção de vinho, leite para a produção do queijo, bem como o emprego e compartilhamento de maquinários e equipamentos para mais de uma atividade produtiva. Um exemplo dessa complexidade pode ser visualizado na Figura 1, a qual apresenta o fluxograma de uma UPA que desenvolve mais de uma atividade produtiva.

Figura 1- Fluxograma para exemplificar a complexidade de atividades e da gestão em unidades de produção agropecuárias.
Figura 1- Fluxograma para exemplificar a complexidade de atividades e da gestão em unidades de produção agropecuárias.

 

Uma unidade de produção que apresenta essa diversidade de conexões, também imprime complexidade ao gestor, que deve considerar todas as atividades como importantes e passíveis de análise (técnica e econômica), além de geri-las eficientemente. Estas análises precisam identificar custos e lucros de cada atividade isoladamente e da propriedade como um todo, prevendo cálculos de rateio na depreciação, na utilização da mão de obra e de insumos em geral.

Além dos aspectos descritos, alerta-se para o imperativo do agricultor gestor ponderar o Agronegócio como o contexto da administração de sua UPA. Por pertencer ao Agronegócio, a propriedade é dependente diretamente de alguns setores e indiretamente de outros. De forma direta, depende das transações comerciais com o setor fornecedor de insumos, máquinas e equipamentos e com o setor de agroindustrialização e processamento. De forma indireta, bancos, políticas agrícolas, centros de pesquisa, assistência técnica e extensão rural, atacado, varejo, consumidor final, ambiente institucional como um todo, etc. condicionam as ações gerenciais em nível de empresa rural.

Isso pode ser observado na Figura 2, que visa ilustrar que o setor da agropecuária não trabalha de forma isolada, demandando do agricultor gestor postura de empreendedor, ou seja, inovar, transacionar, negociar, pesquisar, comparar preços, buscar alternativas de comercialização, adotar estratégias, cooperar, buscar as informações e capacitações são determinantes nas suas ações.

Figura 2- Contexto em que a produção agropecuária está inserida e desafios da gestão rural no Agronegócio.
Figura 2- Contexto em que a produção agropecuária está inserida e desafios da gestão rural no Agronegócio.

Destarte, a fim de impulsionar uma reflexão, finalizo com os seguintes questionamentos: o agricultor está preparado para gerenciar neste contexto? Caso não esteja, quem vai auxiliar nesta tarefa? Os extensionistas rurais estão aparelhados e dispostos para auxiliar os agricultores, especialmente no que se refere à gestão de custos? No próximo texto a proposta é discutir essas questões.

 

Raquel Breitenbach*  Professora, com doutorado em Extensão Rural/ Professora do IFRS-Campus Sertão

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