De Olho no Mercado / Frederico Schmidt

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PREÇOS DA SOJA COMEÇAM A FICAR ATRATIVOS PARA VENDA / Frederico Schmidt*

A demanda chinesa por soja tem se mantido muito firme ao longo de 2016 e nos últimos dias não foi diferente. Mesmo com feriado nos EUA o mercado não teve muito tempo para tomar fôlego nas exportações. Semana após semana os embarques semanais de soja têm superado as expectativas do mercado e quando não o tem, ao menos atingem as expectativas mais altas, ou seja, as exportações dos EUA não estão dando trégua. Nessa segunda-feira (05) não foi diferente. As exportações superaram as expetativas dos operadores do mercado, atingindo 1,9 milhão de toneladas.

Algo que parecia distante nos meses passados voltou a ser realidade, a saca de soja negociada acima de R$ 80,00 em grande parte das praças do Sul do Brasil.

O movimento de alta renovou seu impulso devido aos fundos de hedge e especuladores que aumentaram fortemente suas apostas na alta, ou reduziram suas apostas na baixa dos grãos de modo geral. Segundo os mesmos o principal motivo tem sido o clima incerto na Argentina. A safra de soja no país vizinho está em pleno plantio, com 46% da área total estimada já semeada até o último levantamento de quinta-feira passada (01/12/16), um tanto quanto atrasada se comparada com o ano passado, porém com um bom avanço na última semana.

No momento não vemos a situação como crítica para a safra Argentina, porém é certo que o mercado busca antecipar os movimentos e se a situação não melhorar na Argentina aí sim teremos complicações. Algumas áreas por lá estão sofrendo com déficit hídrico e as previsões climáticas por enquanto apontam manutenção de clima seco para essas áreas.

De acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a maior parte das lavouras receberam chuvas nos últimos dias e melhoraram as condições do solo, porém porções a Leste e Sul de Buenos Aires e Sul de Córdoba estão com os trabalhos de plantio avançando, porém sem condições de umidade adequada para uma boa semeadura. Além disso, a temperatura baixa não tem ajudado.

Como comentei, ainda é cedo para dar certeza de qualquer coisa, mas o mercado já busca se antecipar. Essas áreas de Buenos Aires e Córdoba, bem como redondezas, podem responder tranquilamente por até 15% da área total da Argentina. Então se houver agravamento da situação por lá o rally de alta nos preços da soja vistos até aqui tem fundamento, caso contrário, se o clima melhorar, os preços podem acomodar.

Diante disso não podemos ignorar o fato de que preços acima de R$ 80,00 por saca, algumas bases até R$ 85,00 por saca já, são preços muito bons. Inclusive, no início da nossa safra e mais para trás ainda, na época de planejamento da nossa safra, as expectativas apontavam para preços bem menores que os atuais, seja pelo cenário de oferta maior este ano, seja pelo cenário de dólar desfavorável.

Por hora essas duas variáveis que pressionavam os preços da soja para baixo estão sendo contornadas e um bom momento para pensar em vendas acaba se apresentando aos agricultores. Quem ainda não fez vendas futuras de algumas parcelas de sua lavoura pode aproveitar esse momento e buscar o devido hedge ou proteção desses preços em bolsa, garantindo assim uma boa margem de lucro para a safra.

Boa semana e bons negócios a todos!

*Frederico Schmidt  é Agente Autônomo de Investimentos pela Priore Investimentos e atua principalmente nos mercados de commodites agrícolas e câmbio. Nascido e criado no interior do Paraná está operando no mercado futuro de commodities desde 2007 através de instituições nacionais e internacionais  (frederico@prioreinvestimentos.com.br)

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