De Olho no Mercado / Frederico Schmidt

Destaque Rural | Portal do Agronegócio | Revista, Agricultura, Pecuária, Mercado

Pressão sobre a safra sul americana pode estar ganhando ainda mais peso

Frederico Schmidt

No pregão desta segunda-feira (21) vimos uma alta forte nos futuros de soja, embalados principalmente pelos futuros de óleo e farelo, seguidos então pelos futuros do grão. Em muitas mesas de negociações de futuros a pergunta mais questionada foi “por que a soja está subindo”?

Num primeiro momento não pareciam haver notícias novas ou relevantes capazes de provocar esse movimento de alta na soja, que aliás na semana passada, apresentou indicações de movimentos baixistas e com realizações de posições compradas pelos fundos de investimentos e especuladores, inclusive perdendo muito daquele posicionamento comprado e altista que havíamos comentado aqui no texto anterior.

No entanto aumentaram as conversas sobre o apetite chinês e que as margens de esmagamento no país melhoraram, fazendo com que evolua o apetite comprador por parte das indústrias da China. Os comentários circulam ao redor de um aumento maior que o esperado nos plantéis de suínos na China, o que estaria gerando maior demanda por cereais e demais farelos de grãos, visando assim suprir a alimentação do maior plantel de suínos do mundo.

Outra questão interessante, mas de menor impacto, é que o governo chinês mudou as regulamentações de trânsito no país, causando assim mudanças principalmente no que tange às capacidades de carga dos caminhões nas rodovias. De acordo com as novas regras o limite de cargas dos caminhões foi reduzido e isso impacta muito inicialmente no milho e posteriormente em outros grãos, já que no país o transporte é feito majoritariamente via caminhões. Os trens fluem bem por lá, mas a prioridade nesse modal acaba sendo para o transporte de minérios.

Essas informações por hora ainda possuem um tom muito especulativo, já que no início deste mês o Dpto. de Agricultura dos EUA (USDA) inclusive rebaixou a estimativa de esmagamento de soja nos EUA. Se essa expansão de suínos na China for confirmada e a demanda chinesa continuar firme, podemos perfeitamente ver o USDA revisando essa estatística nos meses seguintes.

Para acrescentar mais água no caldo, podemos incluir nessa história ainda a questão já comentada no passado nesta coluna dos óleos vegetais, onde a produção de óleo de palma este tem sido prejudicada por problemas climáticos.

Com esse cenário a pressão sobre a safra sul americana aumenta e ganha uma dose extra de adrenalina. Os olhares estão principalmente voltados para a Argentina, um dos principais players mundiais de ambos os mercados, farelo e óleo de soja. Se tivermos problemas climáticos por lá e houver quebra na safra, poderemos ver facilmente novos rallies de alta nos preços do complexo de soja. Naturalmente o Brasil tem participação nessa situação, pois na falta de farelo ou óleo, a busca será pela soja.

Deixe uma resposta