Banco Mundial quer conhecer pesquisas da Embrapa para redução de GEE

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O pesquisador Robert Boddey faz esta semana uma série de palestras nos Estados Unidos onde apresentará os resultados das pesquisas da Embrapa para redução das emissões de gases de efeito estufa na agropecuária brasileira. Entre as apresentações, Boddey falará para especialistas da Climate Smart Agriculture, na sede do Banco Mundial, em Washington, D.C. “Vou apresentar o que a Embrapa vem fazendo e explicar que as emissões diminuíram bastante desde 2004 e que isto é resultado das pesquisas e do enorme esforço do Governo brasileiro de diminuir a desmatamento na Amazônia e outras áreas”, adiantou Boddey.

Além do encontro com especialistas da Climate Smart Agriculture – instituição ligada a FAO que visa a mobilização de recursos para o aumento da produtividade com sustentabilidade e redução das emissões de gases de efeito estufa na produção de alimentos–, o pesquisador Robert Boddey se reunirá com pesquisadores do Programa de Ciência, Tecnologia e Política Ambiental da Universidade de Princeton.  Ainda na mesma instituição, Boddey fará uma palestra para cerca de 100 pesquisadores, professores e estudantes. O pesquisador não descarta futuras parcerias com universidades e centros de pesquisa americanos.

Para Robert Boddey, que é pesquisador da Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ), o convite para estas apresentações nos Estados Unidos é um reconhecimento ao trabalho da equipe de ciclagem de nutrientes em vinte anos de estudos. O pesquisador afirma ainda que ao querer conhecer os estudos da Embrapa sobre o tema, os americanos revelam um grande interesse pelas pesquisas brasileiras. “Eles querem saber como o Brasil pretende cumprir seus ambiciosos compromissos assumidos em Copenhague (2009) e na 21ª Conferência das Partes-COP21, em Paris (2015), para reduzir as emissões de GEE, especialmente na área de agropecuária”, complementa o pesquisador.

Pesquisas da Embrapa
Entre as pesquisas que serão apresentadas, Robert Boddey vai abordar um estudo recente que revela que as emissões de gases de efeito-estufa na pecuária brasileira podem cair com o aumento da produtividade da pastagem. O estudo avaliou cinco cenários diferentes, que vão desde a condição de pasto degradado até a pastagem adubada combinada com confinamento. “Com esse trabalho, conseguimos ver quanto é a emissão de GEE por quilo de carne produzido no País de acordo com o manejo adotado”, esclarece o pesquisador, que coordenou a pesquisa.

As estimativas foram feitas com base na metodologia do IPCC, porém com vários dados levantados em pesquisas no Brasil. Boddey explica que com uma pequena melhoria, consorciando a pastagem com uma leguminosa forrageira, por exemplo, que não exige adubação nitrogenada, aliado a um controle maior dos animais, é possível obter uma redução nas emissões de aproximadamente 26% em relação ao que se teria no pasto degradado, e ainda quadruplicar a produtividade. Com o aumento da produtividade, a redução das emissões por quilo de carne chega a quase 50%.

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