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Quais os impactos da eleição de Donald Trump na economia mundial?

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Jack Scoville, corretor e analista de Chicago, fala à Destaque Rural sobre o clima nos Estados Unidos, a reação dos investidores e as medidas protecionistas esperadas para o mandato

Ângela Prestes

A eleição do candidato do Partido Republicano, Donald Trump, à presidência dos Estados Unidos pegou muitas pessoas de surpresa. O empresário bilionário venceu ontem (9) a ex-primeira dama e ex-secretária de Estado Hillary Clinton, do Partido Democrata. Mas quais os impactos do resultado na economia norte-americana e mundial? O corretor e analista, Jack Scoville, da Price Futures Group, em Chicago, IL, acredita que a eleição de Trump tem potencial para causar estresse na economia. Após o resultado, o dólar e o mercado de ações caíram consideravelmente, porém se recuperaram depois do discurso de Donald Trump, que adotou uma fala mais mansa. Ambos subiram no final do dia de ontem (9), assim como os títulos da dívida norte-americana. “O preço da maioria das commodities estão em queda. Acredito que o mercado está tomando uma atitude de esperar para ver o que acontece em relação a ele”, analisa.

Donald TrumpA primeira reação da maioria dos investidores com a notícia foi vender posições. Alguns, porém, viram nesse momento uma grande oportunidade para comprar mais barato. “Eu acho que os investidores foram orientados a manter a calma e aguardar o que vai acontecer. Nós realmente não sabemos exatamente o que o Trump quer fazer já que ele disse um monte de coisas durante a campanha”, explica Scoville.

Uma das características presentes no discurso do próximo presidente dos Estados Unidos é uma tendência ao protecionismo e isso poderá trazer alguns impactos negativos na economia mundial. “Ele quer ser muito mais que um “primeiro presidente da América”, o que significa que ele será menos preocupado com suas atitudes, o que tende a impactar o resto do mundo”.

Mudanças a longo prazo

“Republicanos agora têm o controle do governo. Se Trump resolver fazer do seu jeito na economia potencialmente teremos uma situação com mais inflação já que ele pretende aumentar gastos e cortar taxas e isso poderá não funcionar muito bem”. Conforme o analista, se o congresso vencer as decisões, os EUA pode caminhar novamente em direção a uma recessão já que ele é mais inclinado a cortes. “Nesse momento não há real razão para cortar baseado nos dados econômicos. Nós estamos caminhando muito bem nesse momento, diferente do que os republicanos dizem. Meu sentimento é que de uma ou outra forma as coisas podem piorar economicamente aqui”.

Cenário do agronegócio

Para Scoville, Trump parece não se importar muito com o agronegócio. Ele espera negligência e um mercado que deve seguir mais fraco. “Na medida em que ele puder colocar em prática suas políticas protecionistas a demanda por exportações agrícolas dos EUA irá sofrer. Serão os outros “tirando os produtos dos EUA da prateleira” ou colocando uma tarifa em cima, e nós acabaremos por fazer o mesmo com o milho e soja dos outros. Mas ele não se importa com isso”, finaliza.

Bilionário

Fred Trump morreu aos 93 anos, em 1999, deixando para Donald uma fortuna de US$ 250 milhões. Porém, os biógrafos consideram que Donald Trump já era milionário 20 anos antes, quando iniciou a compra de vários edifícios em Nova York. Essa foi uma fase ascendente da vida do empresário porque ele comprou, em 1983, um antigo prédio que depois se transformou no Trump Tower, e também o Trump Plaza, e vários cassinos em Atlantic City, no estado de Nova Jersey.

Colaborou: Frederico Schmidt

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