Desafios da Gestão Rural / Raquel Breitenbach

Destaque Rural | Portal do Agronegócio | Revista, Agricultura, Pecuária, Mercado

Custos versus produtividade nas atividades agropecuárias

Raquel Breitenbach

Agricultores e profissionais que trabalham com assistência técnica e extensão rural, possivelmente concordam que a produtividade é um dos principais índices utilizados no campo para comparar o desempenho de distintas unidades de produção agropecuárias. Ou seja, geralmente o agricultor considera eficiente aquela propriedade que colheu mais grãos por área e/ou que tem maior produtividade por animal. Nesse texto o objetivo desse texto é chamar a atenção para o fato de que esse tipo de comportamento gerencial pode levar os agricultores e técnicos extensionistas a tomarem decisões erradas ou precipitadas.

Primeiramente, salienta-se que numa empresa/propriedade rural, independentemente do tamanho ou atividades que desenvolve, o ato de administrar e os instrumentos de gerenciamento são fundamentais para ter retornos econômicos satisfatórios, bem como mensurá-los. Para tanto, quem gerencia o estabelecimento precisa compreender que não deve buscar a máxima produção a qualquer custo, mas a máxima relação custo x benefício nas atividades agropecuárias desenvolvidas.

Para tanto, é necessário maximizar o uso dos fatores de produção, a fim de obter maiores níveis de produtividade e rentabilidade. Ou seja, a administração rural busca o uso mais eficiente dos recursos produtivos. Quanto mais escassos, mais devem ser otimizados.

Mas de que fatores de produção estamos falando? Os principais fatores de produção e recursos nas propriedades rurais são terra, capital e trabalho. Porém, podem ser desmembrados, dependendo da atividade produtiva, em: maquinários, equipamentos, recursos naturais (água, solo, matas, etc.), animais, mão de obra familiar ou contratada, benfeitorias, instalações, terra, entre outros.

Ao fazer essas considerações, não se objetiva minimizar a importância da produtividade, mas reconhecer que o foco apenas na produtividade das atividades não garantirá viabilidade econômica para as propriedades. Deste modo, o agricultor carece ter um controle das atividades desenvolvidas para saber quanto os níveis de produção e produtividade estão custando.

Fica claro, portanto, que nem sempre a máxima produtividade agronômica resulta em máxima produtividade econômica. E o único jeito do produtor saber acerca disso, é se tiver o controle dos custos e produto bruto.

É neste ponto que reside o maior gargalo das propriedades rurais. Muitas adotam tecnologia de ponta, tem bons índices de produtividade e alcançam a “máxima agronômica”, mas raramente sabem quanto isso custou.

É o caso dos agricultores da região Noroeste do Rio Grande do Sul, em que 99,5% têm pouca noção dos lucros das atividades agropecuárias desenvolvidas, 87,3% têm conhecimento apenas ‘aproximado’ de custos e apenas 30% se considera ‘organizado’ na gestão de suas propriedades. Como principal conclusão, destaca-se o desconhecimento dos agricultores acerca dos custos de produção (BREITENBACH et al., 2015¹).

No intuito de contribuir com a difícil tarefa de redução de custos e otimização de fatores de produção nas empresas rurais, destacam-se alguns aspectos que comumente estão presentes em muitas propriedades e podem ser corrigidos:

capturar

Por fim, destaca-se que existem profissionais (teoricamente) capacitados para auxiliarem os agricultores nessa tarefa complexa de análise econômica das atividades agropecuárias. Portanto, reconhecer seus gargalos de conhecimento e disponibilidade de tempo e buscar assistência técnica e extensão rural para preencher esses déficits é também uma ação gerencial fundamental do agricultor.

 

¹ BREITENBACH, Raquel; BRANDÃO, Janaína Balk; VITALI, Dionatan José. Gestão de custos em unidades de produção familiares especializadas no cultivo de soja no Norte do Rio Grande do Sul, Brasil. Espacios. Vol. 37 (Nº 23) Año 2016. Pág. 22.

Deixe uma resposta