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De Olho no Mercado / Frederico Schmidt

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Fundos de investimentos e especuladores tornam-se compradores líquidos de soja

*Frederico Schmidt

Constantemente acompanhamos os movimentos dos preços da soja nas bolsas e na grande maioria dos casos estamos habituados a sempre buscar os fundamentos e fatores que fazem os movimentos nos preços ocorrerem, sejam eles ligados a clima, a fluxos de exportações e às lavouras mais diretamente. Não está errado, pelo contrário, é esse o ponto de partida correto para se analisar bem o movimento dos preços nos mercados. Porém outro ponto importante a se observar, principalmente quando temos a possibilidade de ver os fluxos dos participantes de mercado na Bolsa de Chicago, é justamente as direções e posições que o dinheiro por assim dizer está tomando.

Não podemos descartar informações que muitas vezes não são provenientes da lavoura, mas que podem trazer muito impacto nos preços e nas previsões futuras de preços, bem como no planejamento de comercialização do grão, entre outras atividades.

Apesar do recuo dos preços da soja na semana passada, tivemos vários pregões de alta nos dias anteriores, saindo dos níveis mínimos de 2016 para níveis acima de US$ 10,00 por bushels na maioria dos vencimentos mais curtos na Bolsa de Chicago. Essa alta, no lado dos fundamentos, pode ser explicada pelo bom apetite comprador da China, que mesmo comprando volumes altos ao longo de 2016, já entrou no novo ciclo-safra dos EUA comprando acima da média dos últimos anos. Mesmo com previsões de safra recorde se renovando constantemente nos EUA a China ajudou a manter os preços em níveis mais satisfatórios.

Por outro lado uma análise interessante de ser feita é o posicionamento dos participantes do mercado na soja nos últimos pregões. Foi notado que especuladores e gestores de fundos de investimentos reduziram a aposta baixista que vinha se desenhando até o início de outubro e passaram a se mostrar apostadores altistas, com posição líquida positiva aumentando, ou seja, existem mais especuladores comprados em contratos futuros de soja do que especuladores vendidos em contratos futuros de soja no momento e essa proporção aumentou ainda mais nessas últimas semanas. A expectativa do mercado se tornou positiva para os preços.

No gráfico abaixo, extraído do site norte americano www.cftc.gov, que é a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA, podemos notar a movimentação dos participantes. Note a linha branca, onde desde junho deste ano até início de outubro a linha teve uma direção descendente, demonstrando que as apostas do capital especulativo estavam no movimento de baixa e recentemente essa direção mudou de lado.

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Parte dessa aposta pode ser explicada pelos riscos aos quais a safra sul-americana está exposta e quando falamos isso, basicamente falamos em La Niña.

Para acrescentar mais tempero no caldo, o volume de contratos futuros de soja em aberto na Bolsa de Chicago nas últimas semanas tem sido baixo, ou seja, caso haja alguma surpresa, alguma nova informação capaz de fazer o mercado tomar melhores decisões, podemos ver volatilidades mais fortes pela frente, com maiores fluxos de capitais ingressando nos contratos futuros de soja. Veja no gráfico abaixo o volume de contratos de soja em aberto na Bolsa de Chicago.

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Esse volume está baixo também por conta da sazonalidade da safra. Geralmente nessa época do ano temos os menores volumes de contratos em aberto na Bolsa de Chicago, mas este ano estão ainda menores que em anos anteriores.

Sendo assim, o alerta que gostaria de deixar aqui é que o mercado pode estar iniciando uma aposta mais altista após esse término de safra norte-americana e que o cenário propício para alta volatilidade também está lançado. Porém é importante entender que para que isso se confirme será necessário ocorrer algum fator necessariamente altista, caso contrário os preços poderão retornar para os níveis abaixo de US$ 10,00 confortavelmente.

Não entraremos em maiores detalhes, porém o cenário que se desenha no milho e no trigo na Bolsa de Chicago não é diferente, apesar de nos dois as apostas dos fundos e especuladores ainda ser majoritariamente baixista.

De qualquer forma, essas são algumas indicações de fora da lavoura, com informações unicamente provenientes do fluxo de capitais, mas que se explicam através dos fundamentos vistos nas safras ao redor do mundo. Essas podem ser também valiosas indicações para auxiliar na tomada de decisão de comercialização bem como para travamento de preços futuros e negócios com opções de futuros por exemplo.

Boa semana e bons negócios a todos!

*Frederico Schmidt  é Agente Autônomo de Investimentos pela Priore Investimentos e atua principalmente nos mercados de commodites agrícolas e câmbio. Nascido e criado no interior do Paraná está operando no mercado futuro de commodities desde 2007 através de instituições nacionais e internacionais  (frederico@prioreinvestimentos.com.br)

1 comentário

  • Parabéns pelo artigo Frederico, mais uma vezes o produtor precisa entender que preços não são chutes e ninguém pode garantir que rumo vai esse mercado, e por isso tem que fazer planejamento e montar estratégias de comercialização, ou seja temos que partir para COMERCIALIZAÇÃO DE PRECISÃO!!!

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