Frederico Schmidt – De Olho no Mercado

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PROBLEMAS CLIMÁTICOS NA PRODUÇÃO DE ÓLEOS VEGETAIS SEGURAM OS PREÇOS DA SOJA

*Frederico Schmidt

Na última semana vimos movimentos fortes de altas nos preços dos óleos vegetais ao redor das principais bolsas mundiais, o que acabou segurando a pressão de baixa nos preços da soja com o relatório mensal de oferta e demanda, após o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) anunciar aumento na produção e safra recorde. Além disso, não só segurou como também os preços da soja na Bolsa de Chicago apresentaram bom movimento alta, ajudados ainda por bons números nas exportações semanais dos EUA.

O óleo de soja e o óleo de palma tem sido os principais responsáveis por esse movimento altista nos últimos dias. O suporte para esse movimento vem do Sudeste Asiático onde os problemas climáticos com o último El Niño estão causando perdas na produção de óleo de palma na Indonésia e principalmente na Malásia, segundo maior produtor mundial de palma.

Outro ponto que também tem contribuído para uma percepção de menor oferta no mercado de óleos vegetais é a safra de soja da Argentina, que será menor na safra atual se comparado com a safra anterior. Vale lembrar que a Argentina é o maior exportador mundial de óleo de soja.

No lado da canola, principal matéria-prima de óleo vegetal na Europa, o começo da safra atual por lá também não tem sido fácil. Boa parte da União Europeia e norte da Rússia estão enfrentando um início fraco na safra de canola, que tem sofrido com clima seco no início do plantio e desenvolvimento. Neste último final de semana algumas chuvas atingiram a região e trouxeram algum alívio, mas de qualquer forma a preocupação persiste. Serão necessárias novas chuvas para amenizar o quadro de seca. Em lavouras do norte e leste da Alemanha muitos produtores terão de replantar a canola.

Com esse quadro, temos tanto o óleo de soja como o óleo de palma atingindo preços que não alcançavam desde 2014 e o óleo de canola tem seguido o mesmo rumo, atingindo a máxima de seis meses na semana passada. Com o La Niña pela frente, o mercado já começou a precificar riscos climáticos e possíveis apertos na oferta mundial de óleos vegetais e isso está colaborando diretamente para a firmeza nos preços da soja.

Portanto, as dificuldades climáticas já começam a dar as caras e apesar de ainda ser cedo para projetarmos problemas climáticos por aqui, no Brasil e nos países vizinhos, esse movimento de alta da última semana é uma amostra de como o mercado pode reagir caso esses problemas climáticos apareçam.

A percepção é de que os estoques globais de soja até não estão em níveis tão baixos atualmente, principalmente por conta da boa safra norte-americana, porém em contraparte temos os níveis de estoques globais de óleos vegetais caminhando para os menores dos últimos anos e se houverem problemas principalmente na safra da Argentina, mas também na nossa, esse mercado de óleos vegetais pode puxar os preços dos grãos.

Essa semana iniciou já com a soja apresentando movimento altista nesta segunda-feira na Bolsa de Chicago, pois continua o tom forte de alta nos óleos vegetais. O óleo de soja no meio da tarde desta segunda já estava sendo negociado com mais de 2% de alta. Portanto vale ficar de olho nos mercados internacionais de óleos vegetais, clima na Ásia e na Europa, e não somente aqui. Boa semana e bons negócios!

 

*Frederico Schmidt  é Agente Autônomo de Investimentos pela Priore Investimentos e atua principalmente nos mercados de commodites agrícolas e câmbio. Nascido e criado no interior do Paraná está operando no mercado futuro de commodities desde 2007 através de instituições nacionais e internacionais  (frederico@prioreinvestimentos.com.br)

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