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Menos crédito, mais trocas, aponta a Sondagem de Mercado do Agronegócio do 2º trimestre de 2016

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Produtores rurais brasileiros usaram outras opções, além do tradicional crédito bancário e uso do capital próprio, para bancar a safra 2015/16. Na busca de financiamento, ganharam importância fornecedores que vendem a prazo, fora do sistema financeiro, e que negociam insumos em operações de troca, o chamado barter.

A conclusão é da Sondagem de Mercado do Agronegócio do 2º trimestre de 2016, realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e divulgada nesta quinta-feira (6/10).

O levantamento aponta que 11% do financiamento para a safra 2015/16 veio das revendas, ante os 3% apontados no levantamento anterior, do 4º trimestre de 2015. No mesmo período, a participação das cooperativas passou de 10% para 14%, além da parcela das indústrias de insumos ter subido de 2% registrados na Sondagem anterior, para os atuais 5%.

Em contrapartida, o percentual da safra financiado por bancos caiu de 42%, registrados no final de 2015 para 37% na atual pesquisa, participação menor do que a prevista anteriormente.

De acordo com o gerente do Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro), Antonio Carlos Costa, o resultado é o reflexo do cenário econômico no país. “Os atrasos na liberação do crédito pré-custeio em 2015 já apontavam para uma modificação no funding da operação agrícola. Concluída a safra 2015/16, constatou-se que o financiamento via revendas, tradings e aquele feito diretamente pelas indústrias de insumos ganharam importância em relação ao apontado pela sondagem anterior”, explica.

Segundo Costa, o ambiente de queda da participação dos canais mais tradicionais de crédito pode se intensificar, caso a taxa básica de juros se mantenha muito próxima do atual patamar.

A persistência da busca por soluções alternativas para custear a safra fez com que a participação das cooperativas agropecuárias se intensificasse no contexto da atual Sondagem, passando a responder por 14% do mix de financiamento da produção.

De acordo com o presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas, “o aumento da procura pelas cooperativas, inclusive para operações de barter, mostra que o sistema cooperativista está alinhado com as necessidades dos produtores rurais, desempenhando um importante papel neste momento de crédito mais caro e mais escasso”.

Em relação ao uso de recursos próprios, 32% do financiamento da safra saiu diretamente dos produtores. No entanto, a parcela foi menor do que os 41% estimados no levantamento anterior.

 

Planejamento da safra 2016/17

FUNDING – Os produtores não preveem mudanças na participação das principais fontes de financiamento das operações agrícolas da safra 2016/17. Para eles, a distribuição será semelhante à registrada em 2015/16: 37% dos recursos virão dos bancos, 32% do capital próprio, 14% das cooperativas, 11% das revendas, 5% das indústrias de insumos e 1% das tradings.

SAFRINHA – A Sondagem de Mercado também investigou em que período do ano é definido o planejamento para a compra de insumos da safrinha. As decisões sobre as aquisições de fertilizantes, defensivos e sementes se concentram no último trimestre do ano (outubro, novembro e dezembro), confirmando que os produtores esperam finalizar o plantio da soja precoce para planejar a semeadura da segunda safra de milho.

 

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

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