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Frederico Schmidt – De Olho no Mercado

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ACOMODAÇÃO NOS PREÇOS ATÉ QUANDO? – MERCADO DE SOJA

*Frederico Schmidt

Na semana passada tivemos a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do USDA e pudemos ver que houveram poucas alterações além daquilo que já era esperado. O mercado já projetava um aumento na safra de soja e, para não dizer que não houve nenhuma novidade, somente os estoques finais projetados pelo USDA ficaram abaixo do que o mercado esperava, porém nada muito além das expectativas.

O relatório mensal de esmagamento de soja dos EUA divulgado nesta segunda-feira apontou que em setembro foram esmagados 129,405 milhões de bushels nos EUA, contra 127,694 na média das estimativas e acima também do valor esmagado em setembro do ano passado. Esse número foi menor do que o necessário projetado para atingir a estimativa do USDA de esmagamento total no ano-safra. Apesar da melhora no preço do óleo de soja na última semana, nos EUA as margens de esmagamento esse ano seguem em patamares inferiores às do ano passado, cerca de US$ 0,20 por bushels a menos.

Outra notícia relevante que tivemos nesta segunda-feira foi o USDA revisando para baixo sua estimativa para a safra de soja da Argentina, de 57 milhões de toneladas no relatório oficial para 55 milhões de toneladas no relatório divulgado ontem.

Quanto ao andamento da colheita nos EUA, apesar de seguirem comentários de chuvas atrapalhando em algumas regiões, segue dentro da normalidade, com 62% do total já colhido, contra 44% na semana passada e 63% na média dos últimos 5 anos.

Por aqui, no Brasil, o plantio segue bem encaminhado. No Paraná, 47% da área estimada já foi semeada até esta segunda-feira; no Mato Grosso 31,4% do total já foi semeado até o dia 13/10/16 e no Mato Grosso do Sul cerca de 10,8% já foi semeado de acordo com o último levantamento oficial desta segunda-feira. Em Goiás o plantio já se iniciou porém segue lento devido à irregularidade de chuvas, o que deve mudar ao longo desta semana pois previsões apontam boas chuvas para a região. No Rio Grande do Sul ainda não foram divulgados números oficiais pois o calendário oficial inicia somente esta semana. Apesar disso já ouvimos notícias de alguns trabalhos sendo iniciados na chamada soja precoce.

Na Argentina os trabalhamos de plantio de soja deverão ser iniciados esta semana.

Por hora o mercado segue monitorando o andamento do plantio no hemisfério sul e principalmente a demanda por soja nos EUA, que tem sido o principal fator moderador das quedas nos preços da oleaginosa.

No momento atual, o mercado vê estabilidade nos preços sem muito espaço para volatilidade no curtíssimo prazo. Algo que nos dá essa orientação é justamente a volatilidade implícita nos preços das opções de soja da Bolsa de Chicago. A volatilidade implícita está nos menores níveis do ano e isso mostra que os investidores e especuladores não esperam por grandes oscilações nos preços de soja no curto prazo.

Essa volatilidade pode permanecer baixa mas até quando? Sabemos que existem riscos climáticos ainda mais com o La Niña em curso. Outro ponto importante a ser observado é que caso o clima não atrapalhe, os preços podem sim cair ainda mais. Nesse sentido volto a frisar a importância de estar bem preparado para qualquer um destes cenários: em caso de risco climático, os preços podem subir e ter vendido toda a sua safra sem proteção de preços pode ser uma perda de rentabilidade imensa e em caso de safra cheia, os preços podem cair um bom tanto ainda, a falta de proteção de preços nesse caso também será uma perda de rentabilidade muito grande. Em ambos os casos é importante estar protegido, pois independentemente do rumo que os preços tomarem sua rentabilidade estará assegurada.

 

*Frederico Schmidt  é Agente Autônomo de Investimentos pela Priore Investimentos e atua principalmente nos mercados de commodites agrícolas e câmbio. Nascido e criado no interior do Paraná está operando no mercado futuro de commodities desde 2007 através de instituições nacionais e internacionais  (frederico@prioreinvestimentos.com.br)

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